A crescente demanda por tecnologias verdes e defesa eleva a importância de terras raras e minerais estratégicos, intensificando a corrida global por esses recursos. O Brasil, detentor de vastas reservas, emerge como peça-chave nesta nova corrida geopolítica global, nesta sexta-feira (13). O Resumo explica e descomplica para você.
Entenda as Diferenças Chave entre os Minerais
Embora frequentemente usados como sinônimos, os conceitos de terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos possuem definições distintas e papéis específicos no cenário global.
– Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica, incluindo 15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio), escândio e ítrio. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), esses elementos são cruciais para tecnologias de ponta, como turbinas eólicas e carros elétricos.
– Minerais estratégicos são aqueles essenciais para o desenvolvimento econômico de um país, com aplicações em alta tecnologia, defesa e transição energética, de acordo com as definições governamentais.
– Minerais críticos, por sua vez, são identificados pelo risco de suprimento. Este risco pode vir da concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica ou dificuldade de substituição.
O que isso muda na prática: A correta classificação e entendimento desses minerais permite aos países formular políticas de segurança energética e tecnológica, impactando diretamente o desenvolvimento industrial e a competitividade global.
Brasil se Destaca com Ricas Reservas Naturais
O Brasil se posiciona como um ator fundamental no cenário mundial de minerais estratégicos, graças às suas vastas reservas.
– O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas. Isso corresponde a aproximadamente 23% das reservas globais, segundo dados do SGB e do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
– A maior parte dessas reservas está concentrada nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.
– Em relação a outros minerais estratégicos, o Brasil detém 94% das reservas mundiais de nióbio (16 milhões de toneladas), 26% das de grafita (74 milhões de toneladas) e 12% das de níquel (16 milhões de toneladas).
A lista brasileira de minerais estratégicos, publicada na Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, do Ministério de Minas e Energia, divide-os em três grupos principais:
– Minerais que precisam ser importados: enxofre, minério de fosfato, minério de potássio e minério de molibdênio.
– Minerais usados em produtos e processos de alta tecnologia: minério de cobalto, cobre, estanho, grafita, grupo da platina, lítio, nióbio, níquel, silício, tálio, terras raras, titânio, tungstênio, urânio e vanádio.
– Minerais com vantagem comparativa e geração de superávit na balança comercial: minério de alumínio, cobre, ferro, grafita, ouro, manganês, nióbio e urânio.
O que isso muda na prática: A riqueza mineral do Brasil garante uma posição de destaque no mercado global, com potencial para impulsionar a economia e a segurança nacional, mas exige investimentos em toda a cadeia produtiva para agregar valor e gerar mais empregos.
A Disputa Geopolítica pelos Minerais Estratégicos
Esses recursos naturais se tornaram o epicentro de uma intensa disputa geopolítica internacional, com países buscando garantir seu acesso e domínio tecnológico.
– A China, atualmente, lidera amplamente o refino e a produção de terras raras, gerando preocupação em potências como Estados Unidos e União Europeia, que buscam diversificar suas fontes de suprimento.
– O desafio brasileiro não se limita à extração. A cadeia produtiva de minerais estratégicos envolve etapas complexas, como beneficiamento e refino, ainda pouco desenvolvidas no país.
– Segundo o professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Jardim Wanderley, especialista em política, economia e mineração, a ausência de beneficiamento e refino mantém o Brasil importando produtos de maior valor agregado, perpetuando um padrão histórico de dependência de commodities.
O que isso muda na prática: O desenvolvimento de uma cadeia produtiva completa é crucial para o Brasil. Isso não só aumentaria a receita e a geração de empregos, mas também fortaleceria a soberania nacional e a posição do país no cenário geopolítico, evitando a simples exportação de matéria-prima e o “impacto no bolso” negativo pela importação de produtos finais mais caros.