O artista transmasculino não-binário Caru Brandi realiza sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro, intitulada ‘Fabulações transviadas’, no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), localizado no Catete. A mostra, que foi inaugurada nesta quinta-feira (5) e permanece em cartaz até 22 de abril, destaca a cultura trans e representa um marco histórico para a visibilidade da comunidade LGBTQIAPN+ no cenário artístico nacional. O Resumo explica e descomplica para você.
Inédito no Centro de Folclore: Cultura Trans em Destaque
A exposição de Caru Brandi marca a abertura do calendário 2024 do programa Sala do Artista Popular (SAP) no CNFCP/Iphan, sendo a primeira vez que uma pessoa trans expõe individualmente neste espaço. O artista, originário de Porto Alegre, expressou à Agência Brasil sua satisfação com o reconhecimento institucional.
Dados da exposição:
– Título: Fabulações transviadas de Caru Brandi
– Local: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), Catete, Rio de Janeiro
– Período: Até 22 de abril
– Visitação: Terça a sexta-feira, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h
– Entrada: Gratuita
O que isso muda na prática: Essa iniciativa do CNFCP/Iphan amplia o acesso da arte trans a espaços públicos tradicionais, promovendo a desmistificação e o diálogo sobre identidades de gênero, além de abrir portas para outros artistas da comunidade.
Jornada Artística e a Revelação da Transmasculinidade
As obras de Caru Brandi, que incluem cerâmicas e pinturas, abordam de forma lúdica e crítica a transição de gênero, um tema central que começou a guiar sua produção artística em 2018. Inicialmente atuando com tatuagens, o artista mudou radicalmente seu processo criativo ao se reconhecer e se conectar com pessoas transmasculinas e não-binárias.
Trajetória profissional:
– Transição artística: De desenhos realistas para uma abordagem mais ficcional após 2018.
– Formação anterior: Graduado em Direito em 2021, mas optou pela carreira artística.
– Formação atual: Cursando Artes Visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) desde 2024.
– Atuação: Arte-educador na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, desde 2024.
O que isso muda na prática: A arte de Caru Brandi oferece uma perspectiva íntima e educativa sobre a transmasculinidade, desafiando preconceitos e enriquecendo o panorama cultural com narrativas que celebram a diversidade de existências.
Experiências Imersivas e a Potência da Coletividade Trans
A abertura da exposição foi precedida pela oficina ‘Imaginários do barro’, conduzida por Caru Brandi, que permitiu ao público uma vivência prática com a escultura em cerâmica. Além disso, a inauguração contou com uma performance vibrante dos artistas Maru e Kayodê Andrade, destacando a cultura ballroom, um movimento de resistência nascido nos anos 70 entre a população LGBTQIA+, negra e latina nos Estados Unidos.
Destaques da performance:
– Artistas: Maru (modelo, atleta e multiartista/performer transmasculino não-binário) e Kayodê Andrade (modelo, ator, poeta, dublador e produtor cultural transmasculino de 25 anos).
– Coletivo: Kayodê Andrade é fundador do Coletivo TransMaromba, focado na saúde mental e física de transmasculinos.
– Tema: Celebrar a potência da cultura ballroom e a coletividade da comunidade trans.
O que isso muda na prática: A inclusão de performances e oficinas na exposição reforça a mensagem de que a arte trans é viva, coletiva e pedagógica, contribuindo para educar o público sobre a pluralidade das identidades trans e suas ricas manifestações culturais, combatendo a invisibilidade e a desinformação.