A China está emergindo como um forte concorrente do Brasil no mercado global de carne de frango, segundo análise de uma especialista do Rabobank. O país asiático, que já foi o principal destino da proteína brasileira, tornou-se um exportador líquido desde 2025 e projeta um aumento de 10% na produção neste ano.
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Ascensão chinesa no mercado global
A especialista Chenjun Pan, do Rabobank, prevê que a China ampliará sua participação nas exportações globais de frango, intensificando a competição com o Brasil em mercados cruciais. A expectativa é de que essa concorrência se acentue na próxima década, especialmente no Oriente Médio, Ásia e África.
Em 2025, a China exportou mais de 1 milhão de toneladas de carne de frango, posicionando-se como o quinto maior exportador global. O Brasil, líder mundial, embarcou um recorde de 5,3 milhões de toneladas no mesmo período. As exportações chinesas, que antes se concentravam em carne processada, agora incluem grandes volumes de carne in natura, como o peito de frango, segmento em rápido crescimento.
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Preferências de consumo e destinos
O aumento das exportações chinesas é impulsionado por um excedente de produção de cortes como o peito de frango, menos demandado internamente. Os consumidores chineses preferem pés e asas, o que gera um excedente exportável. Os principais destinos da carne de frango chinesa incluem Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio.
No entanto, a China não compete com o Brasil em mercados como a União Europeia, Japão e Coreia do Sul. Esses países não aceitam carne de frangos vacinados contra a gripe aviária, uma prática adotada pela China para controlar o vírus.
Estratégia para reduzir dependência
O forte crescimento da produção de carne de frango na China, que avançou mais de 9% no primeiro semestre de 2026, faz parte de uma estratégia governamental. O objetivo é reduzir a dependência da carne suína, após a crise da peste suína africana entre 2019 e 2021, que causou escassez e disparada de preços. Atualmente, a carne de frango representa 28% do mercado de carnes chinês.
Essa mudança também visa diminuir a dependência de importações de grãos para ração, já que a produção de frango exige menos milho e farelo de soja por unidade de proteína. A migração do consumo para proteínas mais eficientes, como o frango, tende a limitar o crescimento da demanda chinesa por soja no futuro.
Apesar do cenário de concorrência no frango, a demanda chinesa por carne bovina tem potencial de crescimento, embora enfrente restrições de oferta e tarifas de importação elevadas, que devem permanecer até 2028. Após esse período, o Brasil poderá ter novas oportunidades, com a demanda chinesa migrando para produtos de maior valor agregado.