O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta terça-feira (24) que não há dúvidas: Domingos Inácio Brazão e João Francisco Inácio Brazão foram os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Este avanço decisivo, de relevância nacional, marca um ponto crítico na busca por justiça e elucidação do crime. O Resumo explica e descomplica para você.
Moraes Detalha Provas Contra Irmãos Brazão e Outros Envolvidos
Durante a sessão, o ministro Alexandre de Moraes enfatizou que as provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) são inequívocas, responsabilizando integralmente os irmãos Brazão como mandantes. Ele detalhou a função de cada réu na complexa trama criminosa, que envolve cinco acusados atualmente presos preventivamente.
– Domingos Inácio Brazão: Conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), apontado como um dos mandantes.
– João Francisco Inácio Brazão (Chiquinho Brazão): Ex-deputado federal, irmão de Domingos, também indicado como mandante do duplo homicídio.
– Rivaldo Barbosa: Ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, acusado de auxiliar os mandantes na fase de preparativos da execução.
– Ronald Alves de Paula: Major da Polícia Militar, apontado como partícipe pelo monitoramento da rotina da vereadora.
– Robson Calixto: Ex-policial militar e assessor de Domingos Brazão, envolvido na entrega da arma utilizada no crime.
O presidente da Primeira Turma do STF, ministro Flávio Dino, reforçou o compromisso da corte em manter um julgamento estritamente técnico e jurídico, imune a argumentos não pertinentes. A acusação se baseia, em grande parte, na delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, réu confesso pelos disparos.
O que isso muda na prática: A clareza na indicação dos mandantes e a articulação das provas pelo STF representam um avanço fundamental na busca por justiça para Marielle e Anderson, solidificando o combate à impunidade em crimes que abalaram a segurança e a política brasileiras.
Motivação do Crime Ligada a Grilagem e Atuação de Milícias
Ainda segundo o ministro Alexandre de Moraes, a acusação da PGR comprova que a principal atividade do grupo consistia na ocupação, uso e parcelamento irregular de solo urbano, visando à exploração do mercado imobiliário ilegal e práticas de grilagem. Nestas mesmas áreas, milícias constituíam redutos eleitorais que favoreciam as campanhas políticas dos irmãos Brazão.
– Operação ilegal: Ocupação e parcelamento irregular de solo, exploração imobiliária ilegal e grilagem.
– Suporte eleitoral: Milícias locais usadas para formar bases de apoio aos irmãos Brazão.
– Moeda de troca: Loteamentos irregulares teriam servido como pagamento a Ronnie Lessa pelo homicídio.
Marielle Franco, que atuou como assessora do então deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), era uma ferrenha opositora a esses interesses, alertando para os vínculos entre os irmãos Brazão e as milícias do Rio de Janeiro desde 2008. A PGR concluiu que matá-la visava eliminar a oposição política que ela personificava e dissuadir outros de seguir sua postura.
O que isso muda na prática: A elucidação da motivação expõe a intrínseca relação entre o crime organizado, a grilagem de terras e a política, especialmente no Rio de Janeiro. Isso ressalta o impacto direto na segurança pública e na lisura do processo eleitoral, exigindo um olhar atento sobre a atuação de milícias e sua influência.
Conexões Suspeitas na Cúpula da Polícia Civil do Rio
Moraes trouxe à tona o envolvimento do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa. Ele foi empossado em seu cargo na véspera dos homicídios de Marielle e Anderson. No dia seguinte aos crimes, Barbosa nomeou Giniton Lages como titular da Delegacia de Homicídios da capital e o designou para presidir as investigações do caso, levantando sérias suspeitas sobre uma possível obstrução de justiça.
O que isso muda na prática: O envolvimento de figuras de alto escalão da segurança pública na véspera e logo após o crime, bem como na condução da investigação inicial, impacta diretamente a credibilidade das instituições. A responsabilização nesse ponto é crucial para restaurar a confiança na justiça e garantir a integridade dos órgãos de segurança.