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Home Saúde

Pandemia reduziu expectativa de vida no Brasil em 3,4 anos, aponta estudo

Por Gabi Gaspar
16 de maio de 2026
em Saúde
Pandemia reduziu expectativa de vida no Brasil em 3,4 anos, aponta estudo

© Alex Pazuello/Semcom/Prefeitura de Manaus

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A expectativa de vida da população brasileira caiu 3,4 anos durante a pandemia de covid-19, após um aumento de 27,6% na mortalidade. Esta é a principal conclusão da análise nacional do Estudo Carga Global de Doenças, a maior pesquisa mundial sobre o impacto de enfermidades e fatores de risco, publicada na edição de maio da revista The Lancet Regional Health – Americas. O Resumo explica e descomplica para você.

Estudo Aponta Impacto do Negacionismo na Redução da Vida

Os pesquisadores que participaram do levantamento atribuem o retrocesso na expectativa de vida à postura negacionista adotada pelo governo federal da época. Autoridades teriam enfraquecido orientações científicas, rejeitando o distanciamento social, disseminando desinformação e promovendo medicamentos sem eficácia comprovada, além de atrasar a aquisição de vacinas, sob a justificativa de proteger o país de um colapso econômico.

O que isso muda na prática: Essa conduta impacta diretamente a saúde pública e a confiança nas instituições científicas. As decisões políticas têm um custo mensurável em vidas humanas e no bem-estar nacional, ressaltando a importância da ciência na gestão de crises.

Desigualdades Regionais Marcam Queda na Expectativa de Vida

Embora a queda na expectativa de vida tenha ocorrido em todo o país, há diferenças significativas entre as unidades da Federação. Os estados da região Norte registraram as maiores reduções, enquanto os da região Nordeste tiveram as menores quedas:

– Maior redução: – Rondônia: 6,01 anos – Amazonas: 5,84 anos – Roraima: 5,67 anos

– Menor redução: – Maranhão: 1,86 anos – Alagoas: 2,01 anos – Rio Grande do Norte: 2,11 anos

O estudo indica que governadores do Nordeste adotaram com mais firmeza as medidas de contenção recomendadas por cientistas e autoridades sanitárias. Na ausência de coordenação nacional, eles formaram um consórcio com um comitê científico independente que implementou estratégias eficazes.

As ações implementadas incluíram distanciamento social, fechamento de escolas e comércios, obrigatoriedade do uso de máscaras, políticas de proteção aos trabalhadores e sistemas de dados em tempo real.

O que isso muda na prática: Demonstra como a ação coordenada em nível estadual pode mitigar crises nacionais. A eficácia das políticas locais impacta diretamente os resultados de saúde, ilustrando a importância da governança regional em emergências.

Comparativo Internacional Alerta sobre Desempenho Brasileiro

Os pesquisadores defendem que o impacto da pandemia poderia ter sido mitigado em todo o Brasil se o governo federal da época tivesse adotado a mesma abordagem colaborativa. O desempenho do Brasil no período foi inferior ao de outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, e dos BRICS, como China e Índia.

Atrasos na aquisição de vacinas e o foco em medicamentos para ‘tratamento precoce’ sem evidências científicas de benefício contribuíram para essa situação. Um país com histórico bem-sucedido de cobertura vacinal, como o Brasil, ficou atrás na vacinação contra a COVID-19 devido à falta de organização.

O que isso muda na prática: Reflete a importância de políticas de saúde pública alinhadas com o consenso científico internacional. Desacreditar instituições globais e a ciência pode afetar a posição do país no cenário mundial e, crucialmente, a saúde de sua população.

Avanços Longo Prazo e Novos Desafios na Saúde Brasileira

Apesar do retrocesso causado pela pandemia, o Brasil registrou ganhos em saúde em uma análise de longo prazo, de 1990 a 2023:

– A expectativa de vida subiu 7,18 anos. – A mortalidade padronizada por idade, que nivela os efeitos do envelhecimento, caiu 34,5%. – O índice que mede os anos saudáveis perdidos por morte ou doença reduziu 29,5%.

Diversos fatores são apontados como responsáveis por essa evolução, incluindo melhorias no saneamento básico, crescimento econômico, implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), criação do Programa de Saúde da Família e ampliação da vacinação.

As taxas de quase todas as principais causas de morte no Brasil tiveram redução nas últimas décadas, ao considerar a mortalidade padronizada por idade. As exceções foram doença de Alzheimer e outras demências, com aumento de 1%, e doença crônica renal, que cresceu 9,6% de 1990 a 2023.

Em 2023, as maiores causas de morte no país foram doença isquêmica do coração, seguida por AVC e infecções do trato respiratório inferior. A principal causa de mortes prematuras, contudo, foi a violência interpessoal, com uma estimativa de 1.351 anos de vida perdidos a cada cem mil habitantes.

O que isso muda na prática: Aponta a resiliência do sistema de saúde brasileiro e a capacidade de melhoria ao longo de décadas. No entanto, destaca a persistência de desafios como a violência e doenças crônicas, que exigem atenção contínua e políticas públicas focadas para garantir um futuro mais saudável para a população.

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