📌 O RESUMO DA NOTÍCIA:
- Milson Mundim, da Appian Capital, defende que o Brasil não precisa processar todos os minerais críticos que produz.
- A extração e o beneficiamento inicial podem ser mais rentáveis que as etapas finais de refino, segundo o executivo.
- Austrália e Canadá são citados como modelos de países mineradores bem-sucedidos sem foco no processamento avançado.
- Relatórios internacionais questionam a eficácia de políticas de industrialização mineral forçada.
O Brasil não precisa, necessariamente, processar todos os minerais críticos que produz para prosperar economicamente. Essa é a avaliação de Milson Mundim, líder da Appian Capital no Brasil, fundo britânico de investimento em mineradoras.
Para Mundim, a ideia de que o processamento local sempre agrega maior valor à cadeia produtiva nem sempre se concretiza, e o país pode focar na exportação da matéria-prima.
O debate sobre o processamento local
A discussão sobre o Brasil avançar na cadeia de valor dos minerais, indo além da extração, é pertinente, mas deve ser aprofundada. Mundim argumenta que o chamado downstream — as etapas de refino e processamento — pode ter margens operacionais mais apertadas do que a própria extração primária.
Ele cita o exemplo da Atlantic Nickel, empresa da Appian no sul da Bahia, que produz níquel sulfetado. A companhia, focada na extração e beneficiamento inicial, apresenta rentabilidade superior à de seus clientes que compram o níquel para processamento.
A visão do setor e exemplos internacionais
Países como Austrália e Canadá são mencionados como modelos de desenvolvimento bem-sucedidos, mesmo com uma vocação predominantemente mineradora e sem grande preocupação em processar todo o produto localmente. No caso do cobre, por exemplo, 80% do valor da commodity está no minério concentrado, enquanto a fundição enfrenta forte concorrência global.
Essa perspectiva é corroborada por um relatório do Banco Mundial de 2015, que questiona a eficácia de políticas de industrialização mineral forçada. O documento aponta que a posse de reservas minerais não garante, por si só, vantagem comparativa para o processamento, que depende de fatores como regulação e custo de capital.
Cenário atual da mineração no Brasil
Atualmente, a indústria brasileira de mineração concentra-se nos estágios iniciais da cadeia, com baixo processamento e fabricação de itens de maior valor agregado. Em 2023, apenas 5% do lítio extraído no país foi processado internamente, e o níquel refinado representou menos de 40% da produção total. O debate sobre qual estratégia seguir para os minerais críticos, essenciais para a transição energética, permanece em pauta no setor e nas políticas públicas.