📌 O RESUMO DA NOTÍCIA:
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- Egas Moniz recebeu o Nobel de Medicina em 1949 pela leucotomia pré-frontal, conhecida como lobotomia.
- A técnica envolvia fazer 12 cortes no lobo frontal do cérebro para tratar transtornos mentais.
- Considerada controversa, a lobotomia tinha alta mortalidade e efeitos colaterais como apatia, sendo hoje rejeitada.
- A prática se espalhou globalmente antes de ser substituída por antipsicóticos, mas o prêmio de Moniz nunca foi revogado.
Egas Moniz, médico português, foi laureado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1949 pelo desenvolvimento da leucotomia pré-frontal, mais conhecida como lobotomia. A técnica, que envolvia intervenções cirúrgicas no cérebro para tratar doenças mentais, é hoje considerada controversa e rejeitada pela comunidade médica global.
A técnica da lobotomia e sua origem
Desenvolvida por Moniz e pelo neurocirurgião Almeida Lima em 1935, a lobotomia consistia em perfurar o crânio do paciente e realizar doze cortes no lobo frontal do cérebro. A ideia era romper circuitos cerebrais que, segundo Moniz, estariam presos em “loops” de pensamento fixo, libertando o paciente de delírios.
A inspiração veio de experimentos em chimpanzés que, após terem o córtex pré-frontal removido, tornaram-se mais dóceis. Moniz acreditava que o mesmo princípio poderia ser aplicado em humanos para tratar agressividade e outros transtornos psiquiátricos.
O Nobel e a rejeição médica
Em 1949, Moniz recebeu o Nobel de Medicina, com o comitê descrevendo a leucotomia como uma descoberta de “valor terapêutico comprovado”. No entanto, a técnica carecia de estudos com grupos de controle e acompanhamento de longo prazo, limitações que a medicina moderna considera cruciais.
Muitos pacientes classificados como “melhorados” por Moniz apresentavam apatia e docilidade, e não uma recuperação plena. A cirurgia era irreversível, destruía tecido cerebral e tinha taxas de mortalidade de até 20%. A prática se espalhou rapidamente, com cerca de 50 mil lobotomias realizadas nos Estados Unidos e centenas no Brasil, como as 700 no Hospital Psiquiátrico do Juquery até 1949.
A lobotomia começou a declinar mundialmente por volta de 1956, com a chegada dos primeiros medicamentos antipsicóticos. Apesar das contestações e campanhas para revogar o prêmio, o Nobel de Moniz nunca foi retirado, permanecendo registrado por sua “descoberta do valor terapêutico da leucotomia em certas psicoses”.
A história da lobotomia serve como um lembrete crítico sobre a evolução da ética e da pesquisa na medicina psiquiátrica, destacando a importância da validação científica rigorosa e do respeito à integridade do paciente.