A cidade de Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, conhecida como o “Vale da Eletrônica” e “Vale do Silício brasileiro”, se destaca como uma potência tecnológica nacional. Com mais de 160 empresas de tecnologia e dezenas de startups, a economia local é impulsionada por inovação, serviços e agricultura.
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O evento Hacktown, em sua décima edição entre 3 e 7 de setembro, exemplifica essa vocação. O festival atrai 15 mil pessoas – quase um terço da população de 40 mil habitantes – para discussões sobre negócios, carreiras, cultura e tecnologia, com milhares de palestras e atividades culturais espalhadas pela cidade.
Impacto econômico do Hacktown
O festival não só gera visibilidade, mas também um significativo impacto financeiro. Segundo Marcos David, cofundador do evento, o Hacktown injetou cerca de R$ 35 milhões na economia de Santa Rita no ano passado. A expectativa para a edição de 2026 é que esse valor alcance R$ 40 milhões, beneficiando diversos setores, da gastronomia à música.
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História de inovação e tecnologia
A ligação de Santa Rita com a tecnologia começou bem antes do Hacktown. Em 1959, Luzia Rennó Moreira, conhecida como Sinhá Moreira, fundou a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa, a sétima escola de eletrônica do mundo na época. Anos depois, em 1965, surgiu o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), reforçando a formação de mão de obra qualificada.
Essa base educacional atraiu empresas e, nos anos 80, o então prefeito Paulinho Dentista criou o apelido “Vale da Eletrônica” para revitalizar a economia. Hoje, a cidade contribui para tecnologias presentes no cotidiano, como câmeras de segurança, internet 5G e TV digital.
Criação do evento e futuro da inovação
O Hacktown nasceu em 2014, idealizado por Marcos David, João Rubens Costa Fonseca e Carlos Henrique Vilela, inspirado no evento SXSW do Texas. A proposta era “hackear” e transformar a cidade, focando na economia criativa. A primeira edição, em 2016, superou as expectativas, e uma parceria com o Google em 2017 impulsionou o número de participantes de 1,5 mil para 4 mil.
Marcos David acredita que o modelo de Santa Rita pode ser replicado. Ele defende que outras cidades do interior brasileiro têm potencial para se destacar em inovação, sem que o desenvolvimento tecnológico fique restrito apenas aos grandes centros urbanos.