📌 O RESUMO DA NOTÍCIA:
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- Restaurantes nos Estados Unidos estão eliminando o sistema de gorjetas.
- A mudança visa garantir salários fixos mais altos e previsíveis para funcionários.
- Estabelecimentos aumentam preços do cardápio para cobrir os custos, mas enfrentam desafios de aceitação do cliente.
- O modelo busca mais equidade, especialmente para a equipe de cozinha e para combater vieses de gênero/raça.
Muitos restaurantes nos Estados Unidos estão reformulando seu modelo de remuneração, abolindo as gorjetas em favor de salários fixos mais elevados para seus funcionários. A iniciativa visa trazer mais previsibilidade financeira aos trabalhadores e promover equidade salarial, impactando diretamente a forma como os clientes pagam pela experiência gastronômica.
Por que as gorjetas estão sumindo
O sistema tradicional de gorjetas nos EUA, onde salários-base são baixos e complementados por gratificações, tem gerado debates. Funcionários reclamam da imprevisibilidade e da pressão para tolerar comportamentos inadequados de clientes.
A mudança busca corrigir a disparidade salarial entre a equipe de frente (garçons) e a de cozinha, que geralmente recebe menos, e eliminar vieses de gênero ou raça na distribuição das gorjetas. Segundo Rachel Miller, chef e proprietária do Nightshade Noodle Bar, as gorjetas permitiam que clientes, consciente ou inconscientemente, oferecessem pagamentos diferentes com base em gênero, raça ou sexualidade.
Como funciona o novo modelo
Restaurantes que adotam o sistema sem gorjetas, como o La Cigale em São Francisco e o Nightshade Noodle Bar em Massachusetts, aumentam os preços dos pratos para cobrir os custos dos salários fixos mais altos. A sommelier Caroline Kraetzer, do La Cigale, por exemplo, ganha US$ 40 por hora, quase o dobro da média do setor, sem depender da “generosidade de estranhos”.
A chef Amanda Cohen, do restaurante vegetariano Dirt Candy em Nova York, que eliminou as gorjetas em 2015, paga a seus funcionários cerca de US$ 30 por hora. Ela afirma que muitos clientes “têm uma surpresa agradável quando percebem que não precisam dar gorjetas de 20% do total da conta”.
Desafios e aceitação do público
Apesar dos benefícios para os funcionários, a transição não é simples. O restaurante Talulla, em Cambridge, tentou o modelo sem gorjetas, mas precisou retornar ao sistema antigo devido aos custos operacionais mais altos e à percepção dos clientes.
O professor William Michael Lynn, da Universidade Cornell, aponta que clientes têm dificuldade em entender que preços mais altos no cardápio já incluem o serviço, o que pode reduzir a demanda. Isso ocorre porque as gorjetas não são contabilizadas na receita do restaurante, ao contrário do aumento dos preços do cardápio, elevando o imposto sobre vendas.
A tendência de abolir as gorjetas nos restaurantes americanos reflete uma busca por modelos de remuneração mais justos e transparentes, embora ainda enfrente desafios na adaptação de custos e na percepção do consumidor. A discussão sobre o futuro das gorjetas continua, com mais estabelecimentos avaliando a mudança.