Emissoras públicas de todo o país estão em um processo de transformação, buscando novas formas de fortalecer parcerias e expandir o conteúdo regional. A discussão, que inclui desde realities locais a propostas para a TV 3.0, busca redefinir o papel da comunicação pública no Brasil e centralizar as vozes de cada canto do país. O Resumo explica e descomplica para você.
Inovação e Representatividade: O Caso Caruaru
Um dos exemplos de inovação veio de Pernambuco, onde o reality “A Voz Dela”, da PrefTV de Caruaru, mobilizou a cidade para encontrar uma voz feminina para a locução do São João. A competição, que envolveu 11 mulheres em testes de improvisação, foi um dos destaques apresentados no encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), nesta terça-feira (19), no Rio de Janeiro.
O que isso muda na prática: Essa iniciativa mostra como a comunicação pública pode empoderar vozes locais e femininas, tornando eventos tradicionais mais diversos e inclusivos, refletindo melhor a sociedade brasileira.
Rede Nacional de Comunicação Pública Busca Expansão Regional
A RNCP, coordenada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), defende a ampliação da presença de produções regionais na programação nacional. Welder Alves, Gerente de Rádio, Projetos Especiais e Mídia Digitais do Sistema Encontro das Águas (antiga TV Cultura do Amazonas), destacou a importância dessa colaboração.
– A TV Encontro das Águas já exibiu programas como o Festival de Óperas e a cobertura da COP-30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada em 2025, no Pará, na TV Brasil e Rádio MEC.
– Cálculos da EBC indicam que produções de parceiras ocupam 11,3% da grade da TV Brasil, no período entre 6h e meia-noite.
O que isso muda na prática: O leitor pode esperar ver mais da riqueza cultural e da realidade de todas as regiões do Brasil na programação da TV Brasil, superando a centralização e valorizando a produção local.
EBC Propõe Novas Estratégias e Desafios da TV 3.0
A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, e o diretor-geral, David Butter, reconheceram a necessidade de adaptação aos novos tempos, incluindo a chegada da TV 3.0, que pretende integrar televisão e internet. A visão é de uma EBC facilitadora, que compartilha oportunidades com suas parceiras, sem modelos hierárquicos.
– Cibele Tenório, do Comitê de Participação, Diversidade e Inclusão da EBC, defende uma relação horizontal e que a “TV só pode ser chamada Brasil, se ela tiver o Brasil na tela, se os sotaques estiverem na tela”.
– A Rádio Educadora da Bahia, gerida pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Iderb), lançou um edital afirmativo para contratar programas independentes sobre diversos gêneros musicais, que são oferecidos gratuitamente às emissoras da RNCP.
O que isso muda na prática: A comunicação pública tende a se tornar mais interativa e diversificada, com maior participação regional e adaptação às inovações tecnológicas, oferecendo conteúdo mais relevante e acessível ao público.
Carta do Rio Demanda Recursos Federais e Fortalece Autonomia
Ao final do encontro da RNCP, um rascunho da Carta do Rio foi apresentado, consolidando as principais reivindicações das afiliadas. Um dos pontos centrais é o pedido por repartição de recursos federais.
– O documento reforça a demanda por recursos da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP), que, segundo a Anatel, registrou valores em 2025.
O que isso muda na prática: O financiamento adequado através de recursos federais pode garantir a sustentabilidade e a independência das emissoras públicas, permitindo mais investimentos em programas de qualidade e abrangência nacional, impactando diretamente o financiamento da mídia pública.