Nos últimos 10 anos, investidores brasileiros que aplicaram em títulos atrelados ao CDI viram seu patrimônio crescer 171,1%. Contudo, quem diversificou para o mercado americano, como o S&P 500, obteve um retorno surpreendente de 502,8% em reais, superando a renda fixa em três vezes.
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Essa diferença ressalta a importância de olhar além das fronteiras nacionais para proteger e multiplicar o patrimônio.
Por que o dólar ainda é essencial
Apesar de narrativas sobre a perda de espaço do dólar, a moeda americana mantém sua relevância global. Dados do BTG Pactual indicam que 85% das trocas cambiais globais são feitas em dólar, e 60% dos dólares impressos circulam fora dos EUA.
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No Brasil, boa parte das despesas domésticas, como commodities essenciais (café, trigo, petróleo), é cotada em dólar. Uma pesquisa da FGVcef aponta que 16% a 18% da cesta de consumo dos brasileiros sofre impacto da variação cambial, expondo o poder de compra à moeda estrangeira.
Juros altos no Brasil: ilusão de rentabilidade?
A alta rentabilidade nominal do CDI, como 14% ao ano, reflete o risco da economia brasileira, com inflação elevada, moeda volátil e incerteza fiscal. Essa compensação pelos riscos locais pode mascarar a perda de poder de compra real.
Nos últimos 10 anos, R$ 100 perderam 39% do poder de compra, segundo o BTG Pactual. A inflação acumulada pelo IPCA entre 2016 e 2025 foi de 64,76%, muito acima dos 39% do CPI (inflação nos EUA) no mesmo período.
O que se perde ao focar só no Brasil
Manter todo o patrimônio em ativos locais expõe o investidor ao “risco Brasil”, onde fatores como juros, inflação e política afetam simultaneamente diferentes classes de ativos. A diversificação interna é limitada, com ativos locais apresentando correlações elevadas.
Além disso, o Brasil representa menos de 2% da economia global, limitando o acesso a setores de alto crescimento. Enquanto o Ibovespa é concentrado em finanças e materiais básicos, o mercado americano oferece maior exposição a tecnologia (31%) e saúde (10%), setores promissores para a próxima década.
Como começar a investir no exterior
Investir globalmente tornou-se mais acessível. É possível começar pela B3 com BDRs (recibos de ações americanas) e ETFs (fundos que replicam índices).
Para proteção cambial e contra a inflação doméstica, o ideal é investir diretamente em moeda forte, como o dólar, protegendo o patrimônio e buscando retornos maiores.
Dolarizar parte da carteira é uma estratégia para buscar mais retorno, acessar oportunidades globais e proteger o poder de compra do seu patrimônio contra as volatilidades da economia brasileira.