A Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis (Coopamare), considerada a mais antiga cooperativa de reciclagem em funcionamento no Brasil, recebeu uma notificação de despejo da Prefeitura de São Paulo em 31 de março. O aviso impacta diretamente a operação da cooperativa, instalada sob o Viaduto Paulo VI em Pinheiros há mais de três décadas, levantando preocupações sobre inclusão social e o futuro da gestão de resíduos na cidade. O Resumo explica e descomplica para você.
Entenda a Ordem de Despejo e os Motivos
A notificação de despejo enviada à Coopamare, datada de 31 de março, fundamenta-se em um auto de fiscalização expedido em 18 de março. O documento aponta a ocupação da área de 675 metros quadrados sob o Viaduto Paulo VI como ilegal, alegando que a permissão de uso foi revogada em 2023 para proteção do bem público e devido a um suposto risco de incêndio no local. A cooperativa apresentou sua defesa em 2 de abril, dentro do prazo de 15 dias estabelecido.
Dados técnicos da ação:
– Notificação emitida em: 31 de março.
– Base da notificação: Auto de fiscalização de 18 de março.
– Área afetada: 675 metros quadrados sob o Viaduto Paulo VI, em Pinheiros.
– Alegação da Prefeitura de São Paulo: Ocupação ilegal e risco de incêndio.
– Defesa da cooperativa apresentada em: 2 de abril.
O que isso muda na prática: A ordem de despejo pode desestruturar um serviço essencial de reciclagem, afetando dezenas de famílias que dependem do trabalho da Coopamare para sua subsistência e gerando um impacto negativo na gestão de resíduos da cidade.
O Apelo da Coopamare e a Busca por Solução Adequada
Carla Moreira de Souza, presidente da Coopamare, destaca que a cooperativa está no local há 37 anos e aceita uma mudança, desde que seja para um galpão com condições adequadas de trabalho. A proposta da Prefeitura de São Paulo de realocar a cooperativa para outro viaduto foi recusada, pois o espaço oferecido é considerado pequeno e inadequado para as operações da Coopamare. A expectativa da cooperativa é de que a prefeitura reveja a decisão ou providencie um galpão na mesma região.
Principais pontos da defesa da cooperativa:
– Tempo de atuação no local: 37 anos.
– Demanda principal: Permanecer no local ou ser realocada para um galpão adequado na mesma região.
– Produção mensal: Cerca de 100 toneladas de material reciclável.
– Equipe: 24 cooperados e aproximadamente 60 catadores de lixo autônomos.
O que isso muda na prática: A ausência de um local adequado não só impacta diretamente a vida dos trabalhadores, que podem perder sua fonte de renda, mas também a eficiência da reciclagem na cidade de São Paulo, já que a Coopamare é um pilar na coleta e processamento de materiais.
Impacto Social e Ambiental do Trabalho da Cooperativa
Em um manifesto parte de um abaixo-assinado pela sua permanência, a Coopamare enfatiza ser um símbolo de luta, dignidade e sustentabilidade, construída por trabalhadores, muitos deles ex-moradores de rua, que encontraram na reciclagem uma forma honesta de vida. A cooperativa gera trabalho e renda, presta um serviço essencial para a região de Pinheiros com a separação e destinação correta de recicláveis, reduz a poluição, diminui o volume de lixo enviado aos aterros e gera economia aos cofres públicos pela redução dos custos de coleta.
Relevância da Coopamare:
– Símbolo de luta e dignidade: Para trabalhadores, incluindo ex-moradores de rua.
– Contribuição ambiental: Redução de poluição e volume de lixo em aterros.
– Economia para a cidade: Redução de custos de coleta de lixo.
– Apoio institucional: Associação Nacional de Catadores/as de Materiais Recicláveis (Ancat), Unicatadores e Movimento Nacional dos Catadores (as) de Materiais Recicláveis (MNCR).
O que isso muda na prática: A possível desativação da Coopamare representa uma perda para a economia circular, a inclusão social e os esforços ambientais da capital paulista, enfraquecendo um modelo de organização que inspira milhares de catadores em todo o país.