A C&A (CEAB3) está pronta para uma nova fase, focando em recompensar seus acionistas após anos de reestruturação interna. O Itaú BBA projeta que a ação da varejista de moda pode ter uma valorização de até 121%, atingindo um preço-alvo de R$ 18 até o final de 2027.
A expectativa do banco, divulgada após o Investor Day da companhia, é que a C&A consiga conciliar investimentos necessários com uma maior distribuição de caixa aos investidores. A administração indicou que priorizará o retorno, sem sacrificar o crescimento.
Potencial de retorno e geração de caixa
Segundo o Itaú BBA, a C&A pode entregar um dividend yield mínimo de 6% em 2027, podendo chegar a 14% (shareholder yield) caso utilize o excesso de caixa para recompras de ações. A projeção de fluxo de caixa livre para os acionistas é de aproximadamente R$ 340 milhões em 2027, impulsionado por um Ebitda estimado em R$ 1,2 bilhão (antes do IFRS 16).
Investimentos e estratégia de crescimento
Apesar do foco em acionistas, a C&A manterá investimentos robustos, destinando entre 7% e 8% da receita líquida a melhorias até 2030. Isso inclui a abertura de 60 a 80 novas lojas, a reforma de 100 a 120 unidades no modelo Energia, e avanços em tecnologia e logística. A estratégia, batizada de Full Power, visa reforçar a oferta de produtos, integrar canais digitais e físicos, aprofundar o relacionamento com clientes e acelerar a expansão física.
Avanços digitais e financeiros
A varejista almeja dobrar a participação do e-commerce nas vendas, de 7% para 15% até 2030, e triplicar a base de clientes omnicanal, que gastam o dobro. O C&A Pay, solução financeira da empresa, também terá papel crucial, com meta de alcançar 35% das vendas até 2030, personalizando ofertas e incentivando a recorrência.
Otimismo do Itaú BBA apesar de ajustes
Mesmo com a redução das projeções de receita e lucro para 2027 devido a um cenário macroeconômico mais desafiador, o Itaú BBA mantém a recomendação de compra para CEAB3. O banco considera que o preço atual das ações já reflete um cenário pessimista, e a distribuição de dividendos e possíveis recompras oferecem uma proteção adicional contra a volatilidade do mercado.