Oito em cada dez brasileiros, ou impressionantes 85%, já percebem os reflexos das mudanças climáticas em suas rotinas, com quase metade (46%) relatando um impacto intenso. Os dados são de um estudo exclusivo do Aurora Lab e da More in Common, obtido pela Agência Brasil e que será lançado nesta quarta-feira (27 de outubro de 2025), em São Paulo, destacando a urgência da transição para energias limpas e a relevância do tema para toda a nação. O Resumo explica e descomplica para você.
Impacto no Dia a Dia: Custos e Saúde Abalados
A pesquisa, que ouviu 2.630 participantes, aponta as principais consequências vivenciadas pelos cidadãos devido às alterações climáticas, mostrando como o fenômeno vai além do meio ambiente e afeta diretamente a vida das pessoas.
– Principais reclamações dos participantes: – Ter que arcar com um custo maior de vida – 53% – Problemas de saúde física – 45% – Obstáculos ao acesso a seu local de trabalho – 40% – Adoecimento mental – 32% – Perda de renda – 17% – Perda de emprego – 10%
O que isso muda na prática: O impacto no bolso e na saúde do cidadão é inegável, com o aumento dos custos de vida e os problemas de saúde física e mental se tornando desafios diários. A estabilidade financeira e o bem-estar da população são diretamente afetados, exigindo adaptação e, muitas vezes, sacrifícios.
Quem Deve Agir? O Papel do Estado e Empregadores
O estudo Clima, Trabalho e Transição Justa revelou uma forte expectativa sobre o papel do governo.
– Proporção de brasileiros que confiam que o governo deve ser a principal figura a garantir a proteção de trabalhadoras e trabalhadores: sete a cada dez (67%). – Outros indicados a essa função: – Empregadores – 7% – Grupos auto-organizados (direitos socioambientais) – menos de 6%
Gabriela Vuolo, diretora-executiva do Aurora Lab, expressou preocupação com a baixa atribuição de responsabilidade aos empregadores, que teriam um papel importante na proteção dos trabalhadores durante a transição energética e diante de eventos climáticos extremos.
O que isso muda na prática: A percepção de que o Estado é o principal responsável por mitigar os impactos climáticos no trabalho e na vida social direciona a pressão para políticas públicas mais robustas. No entanto, a falta de reconhecimento do papel dos empregadores pode gerar lacunas na proteção dos trabalhadores, que precisarão de apoio em um cenário de mudanças profundas.
Consciência e Oportunidades na Transição Energética
A pesquisa destaca uma elevada consciência da necessidade de transformação dos modelos de produção e consumo da sociedade para enfrentar a crise climática.
– Cidadãos conscientes da necessidade de transformação: 93%. – Cidadãos que concordam totalmente com a afirmação: 74%.
– Expectativa de que as mudanças trarão bons frutos para a classe trabalhadora em termos de abertura de vagas: 67%. – Cidadãos que discordam e pensam em redução de postos de trabalho: apenas 10%.
– Em relação à ligação entre a transição e a configuração social do país: – A maioria (45%) acredita que a passagem para outros estágios energéticos promoverá redução das desigualdades sociais. – 40% acreditam que haverá manutenção ou aumento das desigualdades (23% acham que vão aumentar + 17% que não vão mudar).
O que isso muda na prática: Há um otimismo considerável sobre as oportunidades que a transição energética pode gerar para o mercado de trabalho, com potencial para criação de novas vagas e até aumento de salários, segundo Gabriela Vuolo. Contudo, persiste a divisão sobre se essa transição realmente reduzirá as desigualdades sociais, indicando que políticas específicas serão cruciais para garantir uma transição justa e equitativa.
A Confiança na Ciência em Tempos de Fake News
Apesar da era da disseminação de notícias falsas, os brasileiros demonstram confiança na ciência.
– Universidades e cientistas são a fonte com mais credibilidade para 69% dos entrevistados. – Redes sociais são o principal meio de informação sobre clima para 65% dos entrevistados.
O que isso muda na prática: A forte credibilidade da ciência é um pilar para a formulação de políticas públicas e para a educação da população sobre a crise climática. Contudo, a ampla utilização das redes sociais como fonte de informação exige que as instituições científicas ampliem sua presença e didática nesses canais, para combater a desinformação.
Detalhes da Pesquisa e Lançamento
– A pesquisa completa, intitulada Clima, Trabalho e Transição Justa, será compartilhada no encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia e Desenvolvimento”. – Foram entrevistadas pessoas com 16 anos de idade ou mais. – As entrevistas ocorreram em nove capitais: Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. – O questionário foi aplicado entre maio e setembro de 2025.