A poeta e jornalista baiana Myriam Fraga (1937-2016) será a grande homenageada da décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), o maior evento literário da Bahia, que acontece de 5 a 9 de agosto no centro histórico de Salvador. A celebração reconhece o legado da escritora que moldou a literatura e a cultura do Nordeste, fundando a Casa de Jorge Amado. O Resumo explica e descomplica para você.
Flipelô celebra trajetória e legado de Myriam Fraga
A edição de 2024 da Flipelô, inspirada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), marca dez anos do evento. Realizada desde 2017 pela Fundação Casa de Jorge Amado, que completa 40 anos de existência, a festa foi idealizada para valorizar a memória do escritor Jorge Amado e promover a cultura e a arte baianas, estimulando a literatura, especialmente entre os jovens. Myriam Fraga se destacou como uma das maiores escritoras e poetas brasileiras, com uma produção vasta e influente.
Sua trajetória inclui:
– Publicação de 25 livros ao longo de sua carreira.
– Colaboração intensa em revistas e jornais, como a coluna Linha D’Água no jornal A Tarde, entre 1984 e 2004.
– Membro da Academia de Letras da Bahia, consolidando seu reconhecimento institucional.
O que isso muda na prática: A homenagem à Myriam Fraga reforça a importância da memória cultural e literária, mostrando às novas gerações o impacto de uma figura feminina notável na construção da identidade baiana e nacional. Isso incentiva o estudo e a valorização da literatura local, mantendo viva a chama de autores que enriqueceram o país.
Obras de Myriam Fraga: reflexos do Nordeste e o feminino
A produção poética de Myriam Fraga é marcada pela abordagem de questões sociais específicas do Nordeste e por ricas representações da Bahia. Além disso, a poeta se dedicou a uma profunda construção do feminino, ressignificando figuras e temas da mitologia em sua obra. Seu primeiro livro, “Marinhas”, publicado em 1964, já demonstrava essa sensibilidade e força.
O papel crucial de Myriam na Fundação Casa de Jorge Amado
Myriam Fraga foi uma das grandes entusiastas e fundadoras da Fundação Casa de Jorge Amado. Seu empenho levou Jorge Amado e Zélia Gattai a convidá-la para administrar a instituição, cargo que ocupou até o fim de sua vida. Segundo Angela Fraga, filha da poeta e atual presidente da Fundação, a ideia da Flipelô surgiu após Myriam participar da FLIP em 2006, vislumbrando o Pelourinho como um palco literário.
Citação de Myriam Fraga sobre o desafio inicial:
– “Confesso que nesse instante tive um breve momento de pânico. Trabalhara intensamente para que o projeto se tornasse realidade. Sinceramente esperava poder continuar de algum modo a trabalhar nele, mas de repente ser colocada na direção parecia-me uma tarefa para qual possivelmente não estava preparada.”
O que isso muda na prática: A liderança de Myriam Fraga na Fundação Casa de Jorge Amado garantiu a preservação da memória de um dos maiores escritores do Brasil e impulsionou a criação de um evento literário de grande porte como a Flipelô. Isso demonstra a capacidade de indivíduos em moldar e sustentar instituições culturais vitais para a nação.
Flipelô também celebra Calasans Neto, amigo e parceiro de Myriam
Além da homenagem a Myriam Fraga, a Flipelô deste ano também celebrará o trabalho de Calasans Neto. O artista baiano, pintor, gravador, ilustrador, desenhista, entalhador e cenógrafo, foi um grande amigo de Myriam Fraga e ilustrou suas obras desde “Marinhas” (1964). Jorge Amado, em “Navegação de Cabotagem”, elogiou a parceria artística, descrevendo a dupla como “imbatível” e afirmando que “Calá nasceu para ilustrar a poesia de Myriam”.