A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (24) o julgamento dos acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em 2018 no Rio de Janeiro. Este marco é crucial para a justiça brasileira e a busca por respostas em um dos casos mais emblemáticos do país, gerando expectativa nacional. O Resumo explica e descomplica para você.
Quem são os acusados e qual seu papel no crime?
O julgamento mira nos réus pela suspeita de participação no crime, que estão presos preventivamente. O caso envolve figuras com diferentes níveis de envolvimento, conforme as investigações: – Domingos Brazão: Conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), apontado como mandante. – Chiquinho Brazão: Ex-deputado federal e irmão de Domingos, acusado de ser mandante. – Rivaldo Barbosa: Ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, acusado de participar dos preparativos da execução. – Ronald Alves de Paula: Major da Polícia Militar, acusado de monitorar a rotina da vereadora. – Robson Calixto: Ex-policial militar e assessor de Domingos Brazão, acusado de entregar a arma utilizada no crime.
O que isso muda na prática: A decisão do STF pode consolidar a responsabilização das figuras apontadas como articuladoras do crime, reforçando a seriedade da Justiça em investigar e punir crimes contra direitos humanos e a democracia.
Detalhes da acusação e a conexão política
A base da acusação está na delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, réu confesso de fazer os disparos, e nas investigações da Polícia Federal, que apontam a motivação política do crime: – Ronnie Lessa: Ex-policial, réu confesso dos disparos, delatou os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa como mandantes. – Polícia Federal: Investigou a ligação do assassinato com o posicionamento contrário de Marielle aos interesses do grupo político liderado pelos irmãos Brazão. – Motivação: O assassinato estaria relacionado a conflitos fundiários em áreas controladas por milícias no Rio de Janeiro, onde os irmãos Brazão tinham interesses.
O que isso muda na prática: Esclarecer a motivação política e as conexões com grupos de milícia é fundamental para combater a impunidade e desarticular redes criminosas que atuam no cenário político do Rio de Janeiro, protegendo a segurança de outros agentes públicos.
Como funciona o julgamento no STF?
A sessão na Primeira Turma do STF, em Brasília, segue um rito padrão para julgamentos, com algumas particularidades: – Data: O julgamento inicia nesta terça-feira (24), com previsão de mais sessões na tarde de hoje e na manhã desta quarta-feira (25). – Presidência: A sessão é aberta pelo ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma. – Relator: O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, fará a leitura de seu parecer, resumindo as etapas do processo. – Acusação: A Procuradoria-Geral da República (PGR) é responsável por apresentar a acusação. – Defesa: Advogados dos réus terão até uma hora para suas sustentações orais. – Votos: Quatro ministros estão aptos a proferir seus votos – Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. O colegiado não está completo devido à saída do ministro Luiz Fux para a Segunda Turma.
O que isso muda na prática: A condução do julgamento no STF, mesmo com o número reduzido de votantes, garante a observância das normas legais e a busca por um veredito justo, influenciando a percepção pública sobre a capacidade do sistema judicial de lidar com crimes de alta complexidade e repercussão.