O uso da inteligência artificial (IA) nas eleições de 2024 acende um alerta sobre a disseminação de notícias falsas e a manipulação do eleitorado, conforme especialistas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a presidência de Nunes Marques, prioriza o combate a esses desvios que podem impactar a integridade do pleito. O Resumo explica e descomplica para você.
Desafio da IA nas Eleições 2024 Preocupa TSE
Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), destacou nesta sexta-feira (21) que o enfrentamento aos efeitos nocivos da inteligência artificial nas eleições de 2024 é uma de suas três prioridades. A preocupação é crescente com a capacidade da IA de agravar a circulação de fake news em um cenário de polarização política e baixo letramento digital.
Na prática, a sofisticação da IA exige que os mecanismos de controle evoluam rapidamente para proteger a opinião pública, garantindo votos baseados em fatos e não em desinformação.
Especialistas Alertam sobre 'Doping' Digital e Capacidade de Fiscalização
O advogado eleitoral Jonatas Moreth, mestre em Direito Constitucional, compara a dinâmica entre manipulação e Justiça Eleitoral ao “doping e antidoping”, onde a inovação das fraudes frequentemente precede a capacidade de detecção.
Marcus Ianoni, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), questiona a suficiência dos quadros técnicos do TSE para lidar com a escala e sofisticação do uso da IA na manipulação eleitoral, que pode afetar a atenção dos eleitores e suas intenções de voto.
Isso significa que a Justiça Eleitoral precisa investir em tecnologia e capacitação de pessoal para não ser superada pelas ferramentas de desinformação, um desafio crucial para a lisura do processo democrático.
Nunes Marques Busca Diálogo e Unidade para Atuação do TSE
Além do combate à IA, o ministro Nunes Marques busca “privilegiar o debate e o direito de resposta” e assegurar “diálogo com os tribunais regionais”. Jonatas Moreth interpreta essa postura como um esforço para que o TSE e os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) atuem em sintonia.
A forma de atuação da Justiça Eleitoral pode variar entre uma abordagem mais intervencionista e proibitiva, como na gestão de Alexandre Moraes (agosto de 2022 a junho de 2024), ou uma linha mais liberal. Moreth expressa preocupação com a liberdade de expressão quando ela se transforma em “arena de ofensa e de mentira”.
O cientista político Marcus Ianoni observa que Nunes Marques “tende para ideia mais expandida de liberdade de expressão”. Contudo, Ianoni ressalta que a lei impõe limites, proibindo mentiras, calúnias, difamações e injúrias.
A abordagem definida pelo TSE moldará o ambiente digital das eleições, impactando diretamente a liberdade de expressão nas campanhas e a agilidade na remoção de conteúdos falsos.
Fiscalização de Pesquisas Eleitorais é Outro Ponto Crítico
Marcus Ianoni também levanta a preocupação com a divulgação de pesquisas eleitorais, destacando a necessidade de o TSE estar capacitado para garantir o respeito às regras e combater “pesquisas clandestinas” que buscam confundir o eleitor.
A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) frequentemente denuncia fraudes. A legislação exige registro na Justiça Eleitoral, nome do estatístico responsável e informações detalhadas sobre a amostra e o questionário.
Moreth aponta a falta de uma “auditoria mais precisa” e a dificuldade em encontrar um equilíbrio entre a autonomia das empresas e a garantia de fiscalização efetiva. Ele compara a situação à fiscalização do trânsito: a regra existe, mas sem guarda ou radar, pode ser desrespeitada.
A credibilidade das pesquisas é vital para a formação da opinião pública. Falhas na fiscalização podem manipular a percepção do eleitor sobre o cenário político, influenciando diretamente o voto e o resultado.