Mesmo com a taxa Selic em patamares elevados no Brasil, especialistas recomendam manter parte do patrimônio em dólar. A estratégia visa proteger investimentos e diversificar a carteira, reduzindo a dependência da economia brasileira.
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Dólar como proteção em crises
O dólar funciona como um ativo descorrelacionado dos principais investimentos brasileiros. Isso significa que, em momentos de estresse econômico ou crises locais, a moeda americana tende a se fortalecer enquanto ativos nacionais sofrem. Historicamente, o dólar ganhou força em cenários como a crise de 2008, o impeachment de 2014 e a pandemia de 2020.
Oportunidade com juros americanos
Atualmente, os títulos do Tesouro dos EUA (Treasurys) oferecem taxas de juros atrativas, como 4,24% ao ano para dois anos e 4,65% para dez anos. Isso permite ao investidor obter uma renda relevante em moeda forte por um longo período. Por exemplo, um patrimônio de US$ 50 mil em um Treasury de dez anos geraria cerca de US$ 2.325 anuais em juros, equivalentes a aproximadamente R$ 12 mil por ano (considerando câmbio de R$ 5,20).
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Rentabilidade mesmo com queda do dólar
Uma preocupação comum é a desvalorização do dólar frente ao real. Simulações da XP Investimentos, usando um título soberano brasileiro em dólar com rendimento de 6,4% ao ano, mostram que o investimento de longo prazo mitiga esse risco. Se o dólar cair de R$ 5,20 para R$ 4,00 em um ano, a perda acumulada seria de 18%. No entanto, se essa mesma queda ocorrer em quatro anos, a perda seria de apenas 1%. Em cinco anos, o investimento já apresentaria um ganho de 5%, demonstrando que a renda acumulada compensa a desvalorização cambial no longo prazo.
A dolarização é, portanto, uma estratégia estrutural para a carteira, não uma aposta de curto prazo. Ela garante maior resiliência aos investimentos, protegendo o patrimônio contra volatilidades e incertezas do cenário doméstico.