📌 O RESUMO DA NOTÍCIA:
- A dívida total dos Estados Unidos superou a marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez.
- O endividamento mais que dobrou em menos de uma década, sob as administrações Trump e Biden.
- Especialistas alertam para uma crise fiscal iminente, com impactos na inflação e orçamento.
- A demanda por títulos da dívida americana por investidores estrangeiros tem diminuído.
A dívida pública dos Estados Unidos alcançou um patamar inédito de US$ 40 trilhões, conforme dados do Departamento do Tesouro divulgados na última quarta-feira (19). Este marco histórico sinaliza uma crescente preocupação com a saúde fiscal do país e os potenciais impactos econômicos.
Endividamento acelerado sob duas gestões
O montante da dívida federal mais que dobrou em menos de dez anos, partindo de US$ 19,95 trilhões em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu a presidência. Aproximadamente um terço desse aumento ocorreu durante os dois anos de gastos intensivos para combater a pandemia de Covid-19, sob as gestões de Trump e, posteriormente, Joe Biden. As escolhas de política fiscal de ambos os presidentes, somadas a desequilíbrios de longa data entre receitas e despesas, contribuíram para o restante do endividamento.
Alerta de crise fiscal e impactos econômicos
Organizações de fiscalização orçamentária, como o Comitê para um Orçamento Federal Responsável, vêm alertando para a iminência de uma crise de dívida em larga escala. Segundo Maya MacGuineas, presidente da organização, a dívida de US$ 40 trilhões afeta toda a economia, agravando a inflação, prejudicando outras prioridades orçamentárias e tornando o país vulnerável a emergências. O valor foi atingido em menos de cinco meses após superar os US$ 39 trilhões, e quadruplicou em menos de 20 anos.
Reação do mercado e medidas do Tesouro
A cautela de credores globais é perceptível: os rendimentos dos títulos de longo prazo atingiram os níveis mais altos em quase duas décadas, com investidores exigindo maior remuneração. A demanda por títulos da dívida dos EUA por parte de investidores estrangeiros, que detêm cerca de um terço do total, tem diminuído. Em resposta, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou a duplicação do volume de recompra de títulos de 10 a 30 anos para US$ 4 bilhões por operação.
O cenário fiscal desafiador é agravado por déficits mensais significativos, como os US$ 432 bilhões registrados em julho. A situação exige que os parlamentares considerem medidas como aumento de impostos ou cortes de gastos para estabilizar as finanças do país e evitar uma crise de dívida de grandes proporções.