A Casas Bahia (BHIA3) divulgou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), um valor 18 vezes maior que o saldo negativo de R$ 555 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. O resultado alarmante vem acompanhado de um alerta da própria varejista sobre a “existência de incerteza relevante” quanto à sua capacidade de continuar operando normalmente.
A companhia, que já vinha enfrentando um cenário desafiador, detalhou que grande parte desse prejuízo bilionário é atribuída a eventos não recorrentes, enquanto um plano de reestruturação está em andamento para tentar reverter a situação.
O que explica o rombo financeiro da Casas Bahia?
O expressivo prejuízo de R$ 10,1 bilhões foi impactado em R$ 9,1 bilhões por eventos classificados como não recorrentes. Entre eles, estão contratos não performados, baixa de ativos, gastos com reestruturação e Imposto de Renda (IR) diferido. Esses fatores, embora pontuais, tiveram um peso significativo no balanço da empresa.
Em termos ajustados, o prejuízo da Casas Bahia foi de R$ 978 milhões, o que representa um avanço de 76% na comparação anual. A receita líquida da varejista alcançou R$ 6,97 bilhões, com um crescimento de 1,6%. Contudo, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado registrou queda de 9,4%, fechando em R$ 518 milhões.
Plano de transformação em curso para reverter o cenário
Diante da grave situação financeira e da necessidade de liquidez adicional, a administração da Casas Bahia está implementando a Fase 2 de seu Plano de Transformação. Este plano abrange um conjunto de medidas operacionais, financeiras e estratégicas para tentar estabilizar a companhia.
As ações incluem o redimensionamento da malha de lojas, com o fechamento de 298 unidades já concluído nesta etapa. Além disso, a empresa busca adequar sua estrutura de custos e despesas, reduzir a necessidade de capital empregado, gerir ativamente o capital de giro e avaliar alternativas adicionais de liquidez e estrutura de capital.
Atraso na divulgação e implicações
A divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, inicialmente prevista para uma sexta-feira, foi atrasada e ocorreu na madrugada de domingo, por volta das 2h24 (horário de Brasília), na página da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O atraso na entrega de informes financeiros implica no pagamento de multa ordinária, adicionando mais um custo à já delicada situação da varejista.
A incerteza sobre a capacidade de continuidade das operações, somada aos desafios de reestruturação e aos custos adicionais, coloca a Casas Bahia em um momento crítico. O mercado e os consumidores acompanham de perto os próximos passos da companhia para entender o impacto dessas transformações no cenário do varejo brasileiro.