A nova rodada da pesquisa Quaest sobre a eleição presidencial de 2026 mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 31% no cenário estimulado de primeiro turno.
O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (14), é o primeiro realizado pela Quaest sob encomenda da Globo em parceria com o jornal O Globo para as eleições de 2026.
Além dos números gerais, a pesquisa revela diferenças importantes quando o eleitorado é dividido por região, renda, religião e posicionamento político. Em uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a distância cai para três pontos.
Como está a disputa no primeiro turno?
No cenário estimulado — quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados — Lula aparece numericamente à frente.
Confira:
Lula (PT): 38%
Flávio Bolsonaro (PL): 31%
Renan Santos (Missão): 4%
Ronaldo Caiado (PSD): 4%
Augusto Cury (Avante): 2%
Romeu Zema (Novo): 2%
Samara Martins (UP): 1%
Edmilson Costa (PCB): 0%
Clariana Barão (DC): 0%
Hertz Dias (PSTU): 0%
Leonardo Avalanche (PRTB): 0%
Rui Costa Pimenta (PCO): 0%
Wilson Grassi (Democrata): 0%
Branco, nulo ou não pretende votar: 8%
Indecisos: 10%
Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os percentuais devem ser interpretados considerando essa variação.
Sudeste e Sul mostram um cenário diferente
Um dos recortes mais interessantes aparece quando os resultados são separados por região.
No Sudeste, Flávio Bolsonaro registra 35%, enquanto Lula aparece com 32%.
No Sul, a diferença numérica é maior: Flávio tem 40%, contra 25% de Lula.
O quadro se inverte fortemente no Nordeste.
Na região, Lula alcança 57% das intenções de voto, seu melhor resultado regional informado no levantamento.
Já no agrupamento Centro-Oeste/Norte, Ronaldo Caiado chega a 10%.
Mulheres e homens apresentam diferenças
Entre as mulheres, Lula registra 39%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 28%.
Entre os homens, os números informados são 39% para Lula e 34% para Flávio Bolsonaro.
O levantamento também identifica um movimento entre os eleitores mais jovens: Renan Santos chega a 10% entre aqueles de 16 a 34 anos.
Ronaldo Caiado, por sua vez, registra 5% tanto entre os entrevistados de 35 a 39 anos quanto entre aqueles com 60 anos ou mais.
Renda também divide o eleitorado
A diferença é expressiva entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos.
Nesse grupo:
Lula: 52%
Flávio Bolsonaro: 23%
Na faixa intermediária, entre dois e cinco salários mínimos, os números ficam muito próximos:
Lula: 34%
Flávio Bolsonaro: 33%
Entre os entrevistados de maior renda, a posição numérica se inverte:
Flávio Bolsonaro: 36%
Lula: 31%
Católicos e evangélicos também apresentam cenários distintos
A religião é outro recorte em que aparecem diferenças relevantes.
Entre os católicos, Lula registra 47%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 27%.
Entre os evangélicos, Flávio Bolsonaro aparece com 43%, contra 24% de Lula.
E entre os eleitores independentes?
Esse pode ser um dos grupos mais importantes para acompanhar até outubro.
Entre os eleitores classificados pela pesquisa como independentes, Lula aparece com 23% e Flávio Bolsonaro com 16%.
Mas existe um dado ainda mais relevante: 20% desse grupo permanece indeciso.
Renan Santos chega a 8% entre os independentes, enquanto Ronaldo Caiado registra 6%.
Nos grupos politicamente identificados, a concentração é muito maior.
Lula alcança 91% entre os lulistas e 81% na esquerda não lulista. Flávio Bolsonaro registra 90% entre os bolsonaristas e 70% na direita não bolsonarista.
Pesquisa espontânea tem 51% de indecisos
Quando os pesquisadores não apresentam previamente os nomes dos candidatos, o cenário muda bastante.
Na pesquisa espontânea:
Lula: 25%
Flávio Bolsonaro: 19%
Outros: 3%
Indecisos: 51%
Branco/nulo/não vai votar: 2%
Ou seja, mais da metade dos entrevistados não indicou espontaneamente um candidato.
Lula x Flávio Bolsonaro: segundo turno fica mais apertado
A Quaest também simulou quatro possibilidades de segundo turno.
Na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro:
Lula: 43%
Flávio Bolsonaro: 40%
Branco/nulo/não vai votar: 13%
Indecisos: 4%
Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os intervalos das estimativas se sobrepõem.
Nas outras três simulações informadas, os números são:
Lula x Ronaldo Caiado
Lula: 44%
Ronaldo Caiado: 37%
Branco/nulo/não vai votar: 14%
Indecisos: 5%
Lula x Renan Santos
Lula: 44%
Renan Santos: 36%
Branco/nulo/não vai votar: 16%
Indecisos: 4%
Lula x Romeu Zema
Lula: 45%
Romeu Zema: 34%
Branco/nulo/não vai votar: 16%
Indecisos: 5%
Quem tem maior rejeição?
A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre os candidatos que conhecem e nos quais não votariam.
Os percentuais de rejeição informados foram:
Flávio Bolsonaro: 54%
Lula: 52%
Ronaldo Caiado: 35%
Romeu Zema: 34%
Renan Santos: 21%
Rui Costa Pimenta: 19%
Augusto Cury: 16%
Samara Martins: 11%
Edmilson Costa: 10%
Hertz Dias: 9%
Leonardo Avalanche: 9%
Wilson Grassi: 9%
Clariana Barão: 6%
Os dois primeiros colocados na intenção de voto são, portanto, também os dois nomes com os maiores percentuais de rejeição apresentados pelo levantamento.
Para 69%, escolha do candidato já é definitiva
Outro dado ajuda a dimensionar quanto espaço ainda existe para mudanças na corrida presidencial.
Quando perguntados se a escolha atual é definitiva ou se ainda pode mudar até a eleição:
69% dizem que a decisão é definitiva.
30% afirmam que ainda podem mudar.
1% não soube ou não respondeu.
Ao mesmo tempo, a pesquisa espontânea ainda apresenta 51% de indecisos. São perguntas e metodologias diferentes e, por isso, os percentuais não devem ser tratados como contraditórios.
Quem o eleitor acha que vai ganhar?
A Quaest fez ainda uma pergunta diferente da intenção de voto: independentemente da preferência pessoal, quem o entrevistado acredita que vencerá a eleição?
O resultado foi:
Lula: 56%
Flávio Bolsonaro: 27%
Renan Santos: 1%
Romeu Zema: 1%
Ronaldo Caiado: 1%
Não sabe/não respondeu: 14%
Esse indicador mede expectativa de vitória, e não intenção de voto.
Aprovação do governo Lula
A nova pesquisa também avaliou o governo federal.
48% desaprovam o governo Lula, enquanto 46% aprovam. Outros 6% não souberam ou não responderam.
Na avaliação da administração:
Negativa: 37%
Positiva: 36%
Regular: 25%
Não sabe/não respondeu: 2%
Já quando questionados sobre os rumos do país, 53% consideram que o Brasil está indo na direção errada, enquanto 38% avaliam que está seguindo na direção certa. Outros 9% não responderam.
Economia aparece como um dos pontos de atenção
Esse é o recorte que eu destacaria especialmente em O Resumo, porque conecta a pesquisa à nossa cobertura econômica.
Quando perguntados sobre os últimos 12 meses:
49% dizem que a economia piorou.
30% consideram que ficou do mesmo jeito.
19% dizem que melhorou.
2% não souberam ou não responderam.
Mas a expectativa para os próximos 12 meses é mais positiva.
42% acreditam que a economia vai melhorar, 28% esperam piora e 24% acham que ficará do mesmo jeito. Outros 6% não responderam.
Isso cria um contraste relevante: a avaliação retrospectiva da economia é predominantemente negativa, enquanto a expectativa para o futuro é mais otimista.
Quando foi feita a pesquisa?
A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de agosto de 2026.
A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06773/2026.