A discussão sobre os juros altos no Brasil ganha um novo elemento: a volatilidade do câmbio. Além do gasto fiscal e da meta de inflação, a flutuação da moeda real contribui para manter as taxas elevadas, impactando a economia e o endividamento de famílias e empresas.
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O debate sobre as taxas
A alta nos juros é comumente ligada ao gasto fiscal e à baixa poupança, gerando excesso de demanda. Contudo, a meta de inflação de 3% também é criticada por ser ambiciosa, forçando o Banco Central a manter juros mais altos por mais tempo.
Câmbio volátil e inflação
A volatilidade cambial é um fator crucial. Quando o real se deprecia, importados ficam mais caros, elevando a inflação. O repasse não é simétrico: a inflação sobe mais na depreciação do que cai na apreciação, deixando um resíduo inflacionário.
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O real é uma das moedas mais voláteis do mundo, com a maior variação diária entre 31 países analisados pelo Banco Central Europeu nos últimos três anos.
Causas da flutuação
Os próprios juros altos atraem operações de carry trade, aumentando a vulnerabilidade externa e gerando choques cambiais. Além disso, o mercado de derivativos brasileiro é desproporcionalmente grande e central na formação do preço do dólar, contribuindo para a volatilidade.
Ciclo vicioso e solução
Câmbio volátil gera mais inflação, o Banco Central responde com juros altos (especialmente com metas irrealistas), e juros altos reforçam o carry trade, devolvendo volatilidade à moeda. Uma agenda combinada de eficiência fiscal, redução da volatilidade cambial e revisão da meta de inflação é essencial para baixar os juros reais e estabilizar a dívida pública.