O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição da CRDC (Central de Registro de Direitos Creditórios) pela B3, a Bolsa de Valores brasileira, em uma decisão que expande o poder de mercado da companhia. A aprovação ocorreu apesar da recomendação contrária da área técnica do próprio órgão antitruste.
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Decisão do Cade e o acordo sigiloso
O tribunal do Cade deu aval à operação após a B3 firmar um acordo confidencial para mitigar os impactos concorrenciais. A Superintendência-Geral do Cade havia sugerido a reprovação da compra, apontando riscos de concentração de mercado. O conselheiro relator, José Levi, e os demais membros do tribunal, no entanto, entenderam que o acordo eliminava tais riscos.
O papel da CRDC no mercado financeiro
A CRDC é uma empresa especializada no registro de ativos financeiros, como duplicatas, Cédulas de Crédito Bancário (CDBs), Cédulas de Produto Rural (CPRs) e notas promissórias. Seus serviços são essenciais para bancos, fintechs, fundos de recebíveis, factorings e securitizadoras, garantindo a segurança das operações de crédito lastreadas nesses ativos. Atualmente, a CRDC é controlada pela Associação Comercial de São Paulo.
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Preocupações com a concentração de mercado
A área técnica do Cade alertou que a aquisição eliminaria um concorrente em mercados já concentrados e com altas barreiras de entrada. Havia também a preocupação de que a B3, com sua forte presença na infraestrutura do mercado financeiro, pudesse usar a CRDC para favorecer seus próprios serviços, oferecendo combinações ou descontos. A CERC, concorrente da CRDC, contestou a operação.
Com a compra de 60% da CRDC, a B3 solidifica sua atuação em um segmento estratégico do mercado financeiro, enquanto os termos exatos do acordo que viabilizou a aprovação permanecem em sigilo.