Uma janela quebrada obrigou um avião da Ryanair a fazer um pouso de emergência na Grécia nesta sexta-feira (10). O caso chamou atenção porque um passageiro teria sido parcialmente sugado para fora da aeronave. Mas como isso é possível? Existe risco de alguém ser “engolido” pelo lado de fora? O Resumo explica o que aconteceu e por que esse tipo de incidente é extremamente raro. (Vídeos abaixo)
Um voo da Ryanair que seguia de Tessalônica, na Grécia, para Memmingen, na Alemanha, precisou retornar ao aeroporto de origem poucos minutos após a decolagem, depois que uma das janelas da aeronave sofreu uma falha durante o voo.
Segundo comunicado da companhia aérea, “uma janela de passageiro se soltou”, obrigando o piloto a realizar um pouso de emergência.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa alemã e por fontes ouvidas pela agência Reuters, o passageiro que ocupava a poltrona ao lado da janela teve parte do corpo sugada para fora da aeronave durante a rápida despressurização da cabine.
O homem foi socorrido ainda no aeroporto após o pouso. As autoridades investigam o que provocou a falha.
O que aconteceu?
Segundo a Ryanair, o voo decolou normalmente, mas poucos minutos depois apresentou um problema em uma das janelas.

A empresa não confirmou a causa da quebra.
Já veículos de imprensa da Grécia relataram que uma peça do motor teria atingido a fuselagem, quebrando a janela e provocando uma despressurização repentina.
Vídeos gravados por passageiros mostram máscaras de oxigênio acionadas e uma das janelas danificadas.
O Boeing 737 pousou normalmente em Tessalônica, onde permanece sendo periciado.
📹 Passageiro é parcialmente sugado após janela se desprender em voo
— D. Max (@planesandmusic) July 11, 2026
Um homem quase foi sugado para fora de um avião da Ryanair depois que uma janela se desprendeu durante um voo com origem em Thessaloniki, na Grécia. O incidente se deu nesta 6ª feira (10.jul.2026), logo depois… pic.twitter.com/5NDcqv38AD
Como alguém pode ser “sugado” para fora do avião?
A palavra “sugado” pode dar a impressão de que existe uma força puxando pessoas para o lado de fora.
Na realidade, o que acontece é um fenômeno físico provocado pela enorme diferença de pressão entre o interior da cabine e o ambiente externo.
Durante um voo de cruzeiro, um avião comercial normalmente voa entre 10 e 12 quilômetros de altitude.
Nessa altura, o ar é extremamente rarefeito e a pressão atmosférica é muito menor do que ao nível do mar.
Para permitir que passageiros respirem normalmente, a cabine permanece pressurizada artificialmente.
Quando ocorre uma abertura repentina na fuselagem — seja por falha estrutural, rompimento de uma janela ou outro dano — o ar interno tenta escapar rapidamente para equalizar essa diferença de pressão.
É esse deslocamento violento do ar que pode projetar objetos e até parte do corpo de passageiros em direção à abertura.
Πτήση θρίλερ από το «Μακεδονία» της #Θεσσαλονίκης– Έσπασε παράθυρο την ώρα της πτήσης, τραυματίστηκε επιβάτης – Διαβάστε περισσότερα: https://t.co/iUtFwCy2Ks pic.twitter.com/Ue88WkCcIF
— Rthess.gr (@RThessaloniki) July 10, 2026
Então existe uma “força de sucção”?
Não exatamente.
Especialistas explicam que não existe um mecanismo que “puxa” pessoas para fora do avião.
O fenômeno ocorre porque o ar pressurizado dentro da cabine escapa rapidamente para uma região onde a pressão é muito menor.
Quem está imediatamente ao lado da abertura pode ser atingido por esse fluxo extremamente intenso.
Depois que as pressões se igualam, essa força praticamente desaparece.
Por que ninguém é puxado pela porta durante um voo?
Essa é uma dúvida comum.
As portas dos aviões comerciais são projetadas para abrir para dentro antes de serem deslocadas para fora.
Durante o voo, a pressão existente dentro da cabine empurra a porta contra sua própria estrutura.
Quanto maior a altitude, maior é essa força.
Na prática, isso torna praticamente impossível que um passageiro consiga abrir uma porta durante um voo comercial.
A máscara de oxigênio caiu. Por quê?
Sempre que ocorre uma despressurização rápida, o sistema da aeronave libera automaticamente as máscaras de oxigênio.
Isso acontece porque, em grandes altitudes, a quantidade de oxigênio disponível naturalmente no ar é insuficiente para manter a respiração normal.
Enquanto os passageiros utilizam as máscaras, os pilotos iniciam imediatamente uma descida de emergência para uma altitude segura.
O avião consegue continuar voando?
Sim.
Os aviões comerciais são certificados para lidar com situações de despressurização.
Após estabilizar a aeronave, os pilotos iniciam uma descida rápida para níveis onde a respiração volta a ser possível sem auxílio de oxigênio.
Em seguida, realizam um pouso no aeroporto adequado mais próximo.
Foi exatamente esse procedimento que ocorreu no voo da Ryanair.
Isso acontece com frequência?
Não.
Incidentes envolvendo ruptura de janelas ou despressurização são considerados extremamente raros na aviação comercial.
As aeronaves passam por inspeções rigorosas e contam com múltiplos sistemas de segurança justamente para reduzir esse tipo de risco.
Quando situações semelhantes acontecem, elas costumam ser investigadas por autoridades aeronáuticas para identificar a causa e evitar novos casos.
O caso segue sob investigação
Até o momento, a Ryanair informou apenas que a aeronave retornou em segurança ao aeroporto de Tessalônica e que o passageiro recebeu atendimento médico.
Já as autoridades gregas investigam se a falha foi causada por um defeito estrutural, pela ruptura da janela ou por outro problema mecânico durante o voo.
O Boeing 737 permanece em solo para perícia.