Um projeto inovador liderado pelo Instituto Tecnológico da Vale (ITV) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está revolucionando a forma de mapear a fauna marinha no sul da Bahia. Com amostras de água coletadas em março, a técnica de DNA ambiental busca identificar espécies, proteger a biodiversidade local e combater ameaças. O Resumo explica e descomplica para você.
DNA Ambiental: A Técnica Que Desvenda a Vida Marinha
O projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) utiliza uma metodologia avançada e moderna, chamada DNA Ambiental metabarcoding. Esta técnica permite a identificação de múltiplas espécies simultaneamente, a partir de vestígios genéticos deixados no ambiente.
– A técnica baseia-se na coleta de amostras ambientais da água, solo ou ar, onde animais deixam fragmentos de seu DNA por meio de pelo, escama, fezes ou urina.
– O DNA coletado é sequenciado no laboratório e, posteriormente, comparado com bancos de dados de referência para identificar as espécies presentes na região.
– A coordenadora do GBB pelo ICMBio, Amely Branquinho Martins, e o pesquisador e coordenador do GBB pelo ITV, Alexandre Aleixo, são figuras centrais na aplicação e desenvolvimento dessa metodologia.
O que isso muda na prática: Essa abordagem é considerada não invasiva, eliminando a necessidade de capturar os organismos, o que reduz o esforço e o tempo. Permite monitorar a biodiversidade de forma mais rápida e eficiente, detectando até mesmo espécies raras ou de hábitos elusivos que seriam difíceis de identificar por métodos tradicionais, fortalecendo as estratégias de conservação ambiental.
Bahia: Mapeando Biodiversidade em Reservas Extrativistas
A aplicação-piloto dessa nova etapa do projeto GBB está focada nas Reservas Extrativistas (RESEXs) de Corumbau e Cassurubá, localizadas no sul da Bahia. Estas são áreas de grande importância para a conservação da biodiversidade e para a subsistência de comunidades locais.
– Amostras de água do mar foram coletadas em 20 pontos diferentes na RESEX de Corumbau e em 10 pontos nas porções estuarina e marinha da RESEX de Cassurubá.
– A coleta ocorreu no mês de março e as amostras já foram processadas (filtragem e conservação), sendo transportadas para o laboratório do ITV em Belém (PA) para a extração, análise e sequenciamento do DNA.
– Segundo o analista ambiental do ICMBio, Roberto Sforza, os pontos de coleta foram definidos estrategicamente, considerando espécies de interesse social e econômico, áreas de pesca e extrativismo, além da relevância para espécies ameaçadas e a possível ocorrência de espécies exóticas invasoras.
O que isso muda na prática: Além de identificar peixes e invertebrados de interesse para as populações beneficiárias das RESEXs, o projeto visa mapear espécies ameaçadas de extinção, como os budiões, e detectar invasoras, como o peixe-leão e o coral sol. Isso fornece dados cruciais para a gestão dessas unidades de conservação e para a sustentabilidade das atividades extrativistas locais, impactando positivamente o “bolso” dos pescadores e a “segurança” do cenário político de conservação na região.