A obesidade se consolidou como o principal fator de risco à saúde no Brasil em 2023, superando a hipertensão, que ocupava essa posição de destaque por décadas. Este cenário, com a glicemia elevada em terceiro, é um dos apontamentos centrais do Estudo Global sobre Carga de Doenças, divulgado na edição de maio da The Lancet Regional Health – Americas. O Resumo explica e descomplica para você.
Obesidade Lidera Ranking de Riscos e Impacta Saúde Nacional
A análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, que envolve milhares de pesquisadores e mais de 200 países, revelou a mudança drástica nos riscos à saúde dos brasileiros. Publicado na edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health – Americas, o estudo destaca a escalada da obesidade.
O endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, enfatiza que a população brasileira passou por significativas mudanças no estilo de vida. O aumento da urbanização contribuiu para a redução da atividade física e a adoção de dietas hipercalóricas, ricas em sal e ultraprocessados, criando um “ambiente obesogênico”.
Hohl alerta: “A obesidade não é apenas excesso de peso, mas uma doença crônica inflamatória e metabólica que aumenta simultaneamente o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e vários tipos de câncer.”
Cenário Comparativo: 1990 x 2023 Revela Mudanças Chave
A evolução dos fatores de risco é nítida na comparação dos dados de 1990 com 2023. Em 1990, os três maiores riscos eram hipertensão, tabagismo e poluição por materiais particulados no ar. Naquele ano, o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado, principal indicador da obesidade, figurava em sétimo lugar, e a glicemia elevada, em sexto.
Em 2023, o cenário é outro, com a lista dos principais fatores de risco à mortalidade ou perda da qualidade de vida:
– Índice de massa corporal elevado: ocupa a primeira posição, com um crescimento constante no risco atribuído, acumulando 15,3% desde 1990.
– Hipertensão: em segundo lugar.
– Glicemia elevada: em terceiro lugar.
– Tabagismo
– Prematuridade ou baixo peso ao nascer
– Abuso de álcool
– Poluição particulada do ar
– Mau funcionamento dos rins
– Colesterol alto
– Violência sexual na infância
A pesquisa também aponta algumas melhorias e retrocessos na saúde pública brasileira:
– O risco de morte ou perda de qualidade de vida causado pela poluição particulada do ar caiu 69,5%.
– Houve uma queda expressiva de aproximadamente 60% nos riscos relacionados ao tabagismo, prematuridade/baixo peso ao nascer e alto índice de colesterol LDL.
– No entanto, o tabagismo apresentou um ligeiro aumento de 0,2% entre 2021 e 2023, após muitos anos de queda sustentada.
– A violência sexual durante a infância aumentou quase 24%, saltando da 25ª posição em 1990 para a 10ª em 2023.
O Que Isso Muda na Prática Para o Brasileiro?
Para o cidadão, essa mudança no ranking significa que o foco das campanhas de saúde pública e das políticas de prevenção deve ser intensificado na obesidade e em seus fatores associados, como alimentação e sedentarismo. O impacto é direto na saúde individual e coletiva, aumentando o risco de doenças crônicas que sobrecarregam o sistema de saúde e geram custos elevados. A conscientização sobre o “ambiente obesogênico” e a busca por um estilo de vida mais saudável se tornam, portanto, ações cruciais para o bem-estar e a longevidade dos brasileiros.