O Instituto Inhotim, maior museu a céu aberto da América Latina, celebra seus 20 anos neste sábado (25) com a inauguração de três obras inéditas em Brumadinho, Minas Gerais. As novas instalações enriquecem o acervo e reforçam a vocação do instituto de articular arte, natureza e educação para o público nacional. O Resumo explica e descomplica para você.
Inauguração marca duas décadas de Inhotim
A diretora artística Júlia Rebouças destaca que as obras se conectam à proposta do instituto:
– Articulação entre arte, natureza e educação.
– Repercutem o território e a relação do visitante com o espaço.
– Propõem reflexões sobre questões contemporâneas e momentos ocultos da história recente.
As novas instalações conversam com o acervo já existente, adicionando novas ideias à narrativa do Inhotim.
O que isso muda na prática: Os visitantes terão acesso a novas perspectivas sobre a arte e o ambiente, promovendo uma imersão mais profunda nas discussões sobre o patrimônio cultural e natural brasileiro, reforçando o papel de Inhotim como polo de pensamento.
Contraplano: Reflexão sobre paisagem e mineração
A obra monumental de Lais Myrrha, Contraplano, está localizada em um dos pontos mais altos do Inhotim.
– Escultura feita de lâminas de concreto armado e colunas de aço inoxidável.
– Faz referência ao prédio de Oscar Niemeyer na Praça da Liberdade, Belo Horizonte.
– Descortina-se sobre os jardins do museu, a mata e fragmentos de cavas de mineração.
A artista Lais Myrrha, de Minas Gerais, propõe uma reflexão sobre a relação da arquitetura com a paisagem, o tempo, a natureza, a montanha e a mineração.
O que isso muda na prática: A instalação convida o público a confrontar o impacto da mineração no território mineiro através da arte, gerando um diálogo crítico sobre desenvolvimento e preservação, como evidenciado pela visitante Paola Prates, que sentiu “conforto” e, ao mesmo tempo, “lembrou o que a mineração é capaz de fazer”.
Dupla Cura: Ancestralidade e cultura afro-brasileira em destaque
A Galeria Mata abriga a exposição de longa duração Dupla Cura, do artista brasiliense Dalton Paula, que mora em Goiânia.
– Inclui cerca de 120 obras: pinturas, fotografias, vídeos e instalações.
– Reúne o mais amplo conjunto de obras do artista já exibido no Brasil.
– Temas centrais: ancestralidade, memória e valorização da cultura afro-brasileira.
A curadora Beatriz Lemos explica que o título faz referência a um “pacto espiritual”, ligado à devoção a São Cosme e São Damião, onde o fortalecimento individual se une ao bem-estar comunitário. Dalton Paula vê sua obra como um “oráculo” que conecta passado, presente e futuro.
O que isso muda na prática: A exposição oferece uma profunda imersão na memória e na cultura afro-brasileira, enriquecendo o repertório cultural dos visitantes e promovendo um reconhecimento essencial das contribuições e lutas dessa parte da história nacional.