A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) divulgou nesta quarta-feira (15) uma nova diretriz crucial para o tratamento da obesidade no Brasil.
Ela recomenda que a abordagem farmacológica jamais seja usada isoladamente, mas sim combinada com aconselhamento nutricional e atividade física, impactando milhões de brasileiros e a prática médica em todo o país.
O Resumo explica e descomplica para você.
Novas regras para a indicação de medicamentos
A nova diretriz da Abeso, elaborada por um grupo multidisciplinar, estabelece critérios claros para a prescrição de medicamentos contra a obesidade:
– Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m².
– IMC igual ou superior a 27 kg/m² em pessoas que já possuem complicações de saúde relacionadas à adiposidade.
– Em casos específicos, mesmo sem atingir os IMCs mínimos, o tratamento pode ser considerado se houver aumento da circunferência da cintura ou da relação cintura-altura associado a complicações.
O presidente da Abeso, Fábio Trujilho, destaca que a diretriz “transforma esse avanço científico em orientação prática, oferecendo mais subsídio para a conduta clínica e mais segurança para o cuidado dos pacientes”.
O que isso muda na prática: Médicos agora têm um guia mais robusto e individualizado para decidir quem realmente precisa de medicação, garantindo um tratamento mais seguro e eficaz, enquanto o paciente entende melhor as razões por trás da sua prescrição.
Abordagem multidisciplinar e focada na saúde integral
A elaboração da diretriz contou com endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas, refletindo uma visão mais ampla do cuidado:
– As orientações são organizadas por classes de recomendação e níveis de evidência.
– Aborda cenários específicos como risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa, osteoartrite, câncer, deficiência de testosterona masculina, apneia do sono e perda de massa muscular.
Fernando Gerchman, um dos coordenadores, afirma que o documento “aproxima a recomendação científica das perguntas reais do consultório”, mostrando a amplitude da preocupação com a saúde do paciente.
O que isso muda na prática: A obesidade é vista agora como uma doença complexa com múltiplas facetas. O tratamento não foca apenas na perda de peso, mas na melhoria geral da saúde e na prevenção de outras condições, impactando diretamente o bem-estar do leitor a longo prazo.
Alerta contra métodos sem comprovação científica
A diretriz reforça a importância da segurança, alertando contra o uso de substâncias sem evidências robustas de eficácia e segurança:
– Não são indicadas fórmulas magistrais e produtos manipulados para o tratamento da obesidade.
– Substâncias como diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes, implantes hormonais ou gonadotrofina coriônica humana (hCG) são expressamente contraindicadas.
O que isso muda na prática: Esta recomendação protege a segurança do leitor, evitando gastos desnecessários com tratamentos ineficazes e potencialmente perigosos, combatendo práticas que não possuem respaldo científico.