A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz expõem a insegurança energética do Brasil, segundo análise do ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, divulgada nesta semana. A interrupção de projetos de ampliação do refino no país, afetados pela Operação Lava Jato e pressão de multinacionais, deixa a nação vulnerável a novos choques do petróleo global. O Resumo explica e descomplica para você.
Análise Destaca Fragilidade Energética Brasileira
José Sergio Gabrielli, que presidiu a Petrobras, lançou nesta semana o livro “Economia do Hidrogênio: paradigma energético do futuro”. A obra, editada pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), serve de base para o alerta sobre o cenário atual.
– Ele destacou que o conflito no Irã e o possível fechamento do Estreito de Ormuz representam um terceiro grande choque do petróleo, comparável aos de 1973 e 1979.
– A interrupção dos projetos de ampliação do refino no Brasil, influenciada pela Operação Lava Jato e pela pressão de multinacionais do setor, é o ponto central da insegurança.
– Sem capacidade de refino adequada, especialmente para o diesel, o Brasil fica exposto às turbulências do mercado mundial, dependendo de importações.
O que isso muda na prática: A fragilidade na capacidade de refino do Brasil significa que o consumidor final pode sentir diretamente no “bolso” os efeitos da volatilidade do preço do petróleo, com possíveis aumentos nos custos dos combustíveis, elevando a inflação e impactando a economia nacional.
Guerra no Irã Redesenha Mapas do Petróleo Global
A guerra está alterando a geografia do comércio de petróleo e gás, com os Estados Unidos tentando interferir no mercado mundial através de ações na Venezuela e no Irã, visando o controle de fluxos e preços.
– A China e a Índia, grandes consumidoras, buscarão novas fontes de óleo bruto.
– Brasil, Canadá e Guiana são apontados como determinantes para a nova oferta de petróleo até 2027, com previsão de adicionar 1,2 milhão de barris novos por dia ao mercado.
– O petróleo brasileiro é considerado o mais adequado para as maiores refinarias chinesas, o que pode aumentar a já significativa presença do Brasil no mercado asiático como terceiro maior exportador para a China.
– O Irã, segundo maior produtor do Oriente Médio, mantém um mercado paralelo com a China, aceitando yuans devido às sanções americanas e controlando estrategicamente o Estreito de Ormuz.
O que isso muda na prática: No “cenário político” e econômico, o Brasil pode ganhar maior relevância como fornecedor de matéria-prima. Contudo, a falta de autonomia no refino impede que o país capitalize plenamente esse potencial, deixando a segurança energética interna ainda vulnerável a decisões e preços internacionais.
Desdolarização e Novos Choques no Comércio de Óleo
A crise atual também levanta questões sobre a dominância do dólar nas negociações de petróleo, com exemplos como o Irã aceitando yuans.
– Gabrielli prevê efeitos estruturais duradouros não apenas no comércio de petróleo, mas, mais ainda, no mercado de gás, com ataques a grandes fontes produtoras globais.
O que isso muda na prática: A potencial desdolarização parcial do comércio de petróleo pode ter impactos na estabilidade financeira global e na valoração de commodities. Para o Brasil, isso pode significar flutuações cambiais adicionais e desafios na gestão de reservas e comércio exterior, afetando a segurança econômica a longo prazo.