O Brasil registrou um avanço significativo no hábito da leitura, com o número de consumidores de livros crescendo em 2025 e alcançando 18% da população adulta. A pesquisa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Nielsen BookData, divulgada nesta quinta-feira (26), revela um acréscimo de 3 milhões de novos leitores no último ano. Esse cenário promissor impacta diretamente o mercado editorial e cultural do país, refletindo novas tendências de acesso à informação e conhecimento. O Resumo explica e descomplica para você.
Crescimento Histórico: 3 Milhões de Novos Leitores
A colaboração entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Nielsen BookData trouxe à luz dados animadores sobre o consumo de livros no Brasil. A pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (26), aponta que em 2025, 18% da população brasileira com mais de 18 anos adquiriu ao menos um livro, seja impresso ou digital. Este índice representa um aumento de dois pontos percentuais em comparação com 2024, traduzindo-se em 3 milhões de novos consumidores. Sevani Matos, presidente da CBL, enfatizou que esse crescimento robusto demonstra a constante relevância do livro e um vasto potencial para o desenvolvimento do mercado editorial nacional, impulsionado por uma estrutura que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura.
O que isso muda na prática: Este cenário indica um mercado editorial em expansão e uma crescente busca por conhecimento, cultura e entretenimento. O impacto é positivo para autores, editoras e livrarias, além de reforçar o valor do livro como um produto cultural essencial para o desenvolvimento social e intelectual do país.
Desafios e Oportunidades: Por Que Nem Todos Leem?
Apesar do avanço, o estudo “Panorama do Consumo de Livros”, que entrevistou 16 mil pessoas em outubro de 2025, também identificou barreiras para a leitura. Entre os que não compraram livros em 2025, aproximadamente 35 milhões de pessoas (28%) citaram a falta de livrarias ou lojas próximas como desmotivação. O preço elevado foi apontado por 35% dos não compradores. Além disso, a coordenadora de Pesquisas Econômicas e Setoriais da Nielsen BookData, Mariana Bueno, notou que 16,3% baixaram livros digitais gratuitos e 16,1% acessaram PDFs sem custo, indicando um forte indício de pirataria, que o setor considera uma “demanda reprimida” a ser alcançada com ações estratégicas.
O que isso muda na prática: Estes dados revelam gargalos no acesso ao livro, como a distribuição física e o custo, mas também apontam para um potencial de mercado inexplorado. Ações focadas em acessibilidade, como a criação de mais pontos de venda e políticas de preços mais flexíveis, podem converter essa “demanda reprimida” em consumidores ativos, impulsionando ainda mais o setor livreiro.
Perfil do Leitor Brasileiro: Mulheres e Jovens Lideram
O levantamento detalhou o perfil dos novos leitores. As mulheres representam 61% do total de consumidores. Destaca-se que as mulheres negras da classe C formam o maior grupo consumidor de livros no país, alcançando 15% do total. O maior crescimento no hábito de leitura ocorreu entre os jovens, na faixa etária de 18 a 34 anos, com um aumento de 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. A presidente da CBL, Sevani Matos, atribui grande parte desse fenômeno às redes sociais, que se tornaram uma porta de entrada crucial para novos leitores, com criadores de conteúdo, recomendações online e comunidades virtuais ampliando o alcance da literatura.
O que isso muda na prática: O mercado editorial e os criadores de conteúdo têm uma oportunidade clara de direcionar estratégias para esses públicos-chave. Isso inclui a promoção da diversidade na literatura e a exploração das plataformas digitais como canais eficazes para engajamento, recomendação e venda, fortalecendo a inclusão e a representatividade no universo da leitura.
Hábitos de Consumo: Impresso Domina, Redes Sociais Influenciam
A pesquisa também abordou os hábitos de compra e as preferências dos consumidores. Livros de colorir foram um fator relevante para o crescimento, com 7,1% da população adulta (cerca de 11 milhões de pessoas) comprando ao menos um exemplar em 2025, o que corresponde a 40% do total de consumidores. Títulos de ficção, especialmente os do gênero Young Adult, tiveram um papel decisivo, segundo Mariana Bueno, atraindo um público mais jovem e conectado. É notável que 56% dos consumidores de livros realizam suas compras por meio das redes sociais, sendo as mulheres entre 25 e 54 anos responsáveis por 76% dessas transações e 26% do total de consumidores que usam essas plataformas.
Na última compra, 80% dos leitores optaram por um livro impresso, enquanto 20% escolheram a versão digital, mostrando a preferência pelo formato físico. Para acompanhar lançamentos, 70% dos consumidores buscam informações em sites de compras (34%), por indicação de pessoas próximas (30%), em livrarias (24%) e por meio de criadores de conteúdo (22%). As livrarias físicas mantêm seu papel estratégico, sendo vistas por 53% dos consumidores como um espaço para relaxar e explorar sem pressa, e por 46% como um local de conexão com cultura e conhecimento. Mesmo com o crescimento do online, a compra presencial ainda representa 47% das aquisições de livros impressos, contra 53% via internet.
O que isso muda na prática: O mercado deve adotar uma abordagem multicanal, valorizando tanto o apelo do livro físico quanto a conveniência do digital e o vasto alcance das redes sociais. Livrarias físicas, como espaços de experiência e cultura, devem ser fortalecidas com estratégias que integrem o online e o offline, garantindo a sustentabilidade do crescimento do consumo de livros e o acesso à cultura. Conforme Sevani Matos concluiu, “o livro não é apenas um produto, mas uma experiência cultural. Fortalecer livrarias, bibliotecas e políticas de acesso é fundamental para sustentar esse crescimento.”