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Taxa de inovação do Brasil recua para 64,4% em 2024, diz IBGE

Por Élcio Jardim
19 de março de 2026
em Economia
Taxa de inovação do Brasil recua para 64,4% em 2024, diz IBGE

© REUTERS/Washington Alves/Proibida reprodução

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A taxa de inovação das empresas brasileiras registrou queda pelo terceiro ano consecutivo, atingindo 64,4% em 2024, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O declínio reflete um cenário econômico desafiador e levanta questões sobre o futuro da competitividade nacional, impactando diretamente o desenvolvimento de novos produtos e processos.

Esta tendência de baixa é crucial para entender a capacidade do país de se modernizar e gerar valor. O Resumo explica e descomplica para você.

Taxa de Inovação Recua Pelo Terceiro Ano Consecutivo

A Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec) 2024, do IBGE, revelou que 64,4% das 10.165 empresas brasileiras com 100 ou mais funcionários nas Indústrias extrativas e de transformação introduziram algum produto novo ou substancialmente aprimorado, ou incorporaram algum processo de negócios novo.

Os dados indicam uma retração consistente:

– Taxa de inovação em 2024: 64,4%

– Redução de: 0,2 ponto percentual em relação a 2023 (64,6%)

– Queda acumulada desde: 2021, quando a taxa era de 70,5%

O que isso muda na prática: Menos empresas estão investindo em novidades, o que pode frear o crescimento e a modernização da indústria brasileira, impactando a oferta de produtos e serviços inovadores no mercado e a competitividade do país a longo prazo.

Detalhes da Queda e Impactos Econômicos

A análise da Pintec detalha as categorias de inovação, apontando para uma menor taxa em inovação combinada de produto e processo.

– Inovação em produto e processo: 32,7% em 2024 (queda de 1,7 p.p. em relação a 2023)

– Inovação apenas em produto: 12,5% em 2024 (menor taxa do período)

– Inovação apenas em processo de negócios: 19,2% em 2024 (aumento de 2,6 p.p. sobre 2023)

Segundo Flávio Peixoto, analista da Pintec, a conjuntura econômica brasileira é o principal fator por trás dessa tendência de queda.

– Cenário pós-pandemia: 2021 foi atípico, com atividades produtivas e inovativas represadas e liberadas.

– Estabilização: Três últimos anos com atividades mais estáveis.

– Fatores macroeconômicos: Queda da taxa de investimentos e alta da taxa Selic contribuíram para a retração.

O que isso muda na prática: A instabilidade econômica e os juros altos desestimulam as empresas a arriscar em pesquisa e desenvolvimento, afetando sua capacidade de gerar valor e se adaptar às demandas do mercado. Isso pode se refletir em menos opções para o consumidor e menor competitividade internacional para o Brasil.

Setores Destaque e Investimento em P&D

Apesar da queda geral, alguns setores da indústria se destacaram pela alta taxa de inovação. Os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) também registraram nuances importantes.

– Líderes em inovação (Indústria de Transformação): Fabricação de produtos químicos (84,5%), Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (82,1%), Fabricação de móveis (77,1%).

– Setor menos inovador: Fabricação de produtos do fumo (29,8%).

– Investimento em P&D (empresas): 32,9% investiram recursos em 2024 (o menor percentual desde 2021, que foi 33,9%).

– Gastos totais com P&D: R$ 39,9 bilhões em 2024 (valor nominalmente superior a R$ 38,2 bilhões em 2023).

– Distribuição dos gastos: Indústria de transformação (85,4% ou R$ 34,1 bilhões), Indústrias extrativas (14,6% ou R$ 5,8 bilhões).

O que isso muda na prática: O aumento nominal nos gastos com P&D, apesar da queda no percentual de empresas que investem, sugere que as grandes empresas continuam aplicando recursos significativos. No entanto, a menor participação de pequenas e médias empresas na inovação pode ampliar o fosso tecnológico no Brasil e limitar o desenvolvimento de novos nichos de mercado.

Apoio Público e Perspectivas Futuras

O apoio governamental e as expectativas para o próximo ano indicam caminhos importantes para a inovação no país, mesmo diante dos desafios atuais.

– Empresas inovadoras com apoio público: 38,6% em 2024 (ante 36,3% em 2023).

– Instrumento mais utilizado: Incentivo fiscal à pesquisa e desenvolvimento e inovação tecnológica (28,9%).

– Expectativa para 2025: 96,4% das empresas inovadoras planejam manter ou elevar gastos com P&D.

O que isso muda na prática: O aumento no uso de apoio público é um sinal positivo, indicando que incentivos fiscais são ferramentas importantes para estimular a inovação. A perspectiva otimista para 2025 sugere que, apesar dos desafios atuais, as empresas mantêm o foco na inovação como estratégia de longo prazo, o que pode impulsionar a recuperação da taxa nos próximos anos.

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