📌 O RESUMO DA NOTÍCIA:
- O fenômeno El Niño pode elevar os preços de alimentos in natura em até 19,9% no cenário mais forte.
- A alta impactaria a inflação geral (IPCA) em até 0,83 ponto percentual, principalmente após seis meses do choque climático.
- Hortaliças e produtos de safras específicas devem ser os primeiros a sentir o aumento.
- Regiões como Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro devem registrar os maiores impactos iniciais.
O fenômeno climático El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, projeta um impacto significativo no bolso do consumidor brasileiro. Um estudo recente aponta que, em seu cenário mais intenso, os preços dos alimentos in natura podem subir quase 20%, pressionando a inflação geral.
Impacto nos preços e na inflação
A análise comparou o Índice Oceânico Niño (ONI) com a inflação de alimentos, revelando que produtos in natura reagem mais rapidamente e com maior intensidade. Em um El Niño forte, a alta para esses itens pode chegar a 19,9%, elevando a alimentação no domicílio em 6,32%. Num cenário moderado, o aumento nos in natura seria de 13,4%.
A repercussão na inflação geral (IPCA) é notável. No cenário forte, o impacto total dos alimentos pode adicionar 0,83 ponto percentual ao índice, com os efeitos mais intensos surgindo cerca de seis meses após o início do fenômeno. Hortaliças, devido aos ciclos de produção curtos, são as primeiras a sentir a variação climática.
Probabilidade e regiões afetadas
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) projetou em agosto 80% de chance de um episódio forte do El Niño até o fim do ano. Este aquecimento do Pacífico altera padrões climáticos, causando secas em algumas áreas e chuvas intensas em outras.
As regiões com maior consumo ou produção de in natura devem sentir os efeitos mais cedo. Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém estão entre as cidades que podem registrar os maiores aumentos iniciais.
Além das hortaliças, produtos ligados a safras específicas e o leite podem encarecer no próximo ano. A pecuária no Centro-Oeste e Norte também deve ser afetada pela falta de chuvas, enquanto culturas de inverno no Sul e a colheita de feijão no Nordeste podem ser beneficiadas, dependendo da intensidade do El Niño.