O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra Luiz Augusto Faria do Amaral e José Alves Neto, sócios-fundadores da TRX Investimentos, por suposta gestão fraudulenta. A acusação envolve um fundo antigo e aponta para um prejuízo milionário aos cotistas.
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Acusações de prejuízo milionário a cotistas
A denúncia do MPF, revelada pelo Estadão, foca no Fundo de Participações (FIP) TRX Desenvolvimento Imobiliário I, criado em 2013. O órgão estima que a gestora tenha causado um prejuízo de até R$ 18,9 milhões aos cerca de 230 cotistas do FIP, por meio de operações que teriam beneficiado empresas do próprio grupo entre 2014 e 2019.
Entre as irregularidades apontadas, o MPF cita a venda de uma participação na companhia Saint Michel à Logbrás por R$ 23 milhões, valor considerado abaixo do seu preço de mercado, estimado em R$ 36,6 milhões. Os recursos dessa venda teriam sido usados para capitalizar outra empresa ligada à gestora, a Pacificus 47, sem autorização dos cotistas. Além disso, a TRX teria recebido R$ 990 mil por serviços em outra transação, sem repassar o valor ao fundo.
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Empréstimos sem juros e investigação da CVM
O MPF também investiga empréstimos sem juros e correção monetária concedidos por empresas do FIP a outras companhias do grupo TRX, totalizando R$ 6,94 milhões entre 2014 e 2017. Essas operações, segundo a denúncia, não teriam sido aprovadas pelos cotistas e eram quitadas antes do fechamento dos balanços anuais. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também conduz um processo administrativo sancionador que apura operações semelhantes envolvendo a gestora.
Posição da TRX e impacto no mercado
A TRX Investimentos rejeita integralmente as acusações, afirmando que as operações foram realizadas há mais de dez anos, antes da constituição do FII TRX Real Estate (TRXF11), e conduzidas com transparência e em conformidade com a legislação vigente. A gestora reforça que o caso ainda está sob investigação e que apresentará sua defesa nos fóruns competentes. No mercado, o TRXF11 registrou queda e foi retirado da carteira recomendada de FIIs do BB Investimentos, que adotou uma postura mais prudente diante do novo contexto.
A denúncia segue em averiguação, e o mérito da acusação será analisado após o recebimento e a fase de produção de provas, com a TRX se preparando para defender a regularidade de suas operações.