Os Estados Unidos intensificaram nesta quinta-feira (8) a pressão econômica contra Cuba, impondo novas sanções a importantes empresas estatais cubanas. A medida, que mira entidades estratégicas como a Gaesa e a Moa Nickel, agrava o cenário de crise na ilha e promete impactar diretamente o cotidiano da população. O Resumo explica e descomplica para você.
Sanções Miram Empresas Estratégicas de Cuba
Os Estados Unidos aplicaram novas sanções econômicas contra duas entidades-chave em Cuba, intensificando o cerco ao regime.
As entidades sancionadas são a Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S.A.), um conglomerado estatal gerido pelas Forças Armadas cubanas, que atua em setores como construção civil, produção de alimentos e hotelaria.
A joint venture Moa Nickel (MNSA), formada pela Companhia Geral de Níquel de Cuba e a canadense Sherritt International, também foi alvo das medidas.
A presidente da Gaesa, General de brigada Ania Guillermina Lastres Morera, economista e deputada da Assembleia Nacional de Cuba desde 2018, foi individualmente sancionada. Ela preside a corporação desde 2022.
Em resposta às sanções da Casa Branca, a Sherritt International anunciou a suspensão imediata de suas atividades em Cuba, comunicando o rompimento do contrato aos parceiros cubanos. A empresa declarou que a decisão dos EUA “cria condições que alteram substancialmente a capacidade da empresa de operar no curso normal dos negócios”.
O que isso muda na prática: A saída da Sherritt International pode paralisar parte da indústria de níquel, crucial para a economia cubana e para a obtenção de moeda estrangeira, aprofundando a crise econômica na ilha. A historiadora Caridade Massón Sena, professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), avalia que a medida “vai afetar” a indústria do níquel, uma das poucas que ainda funcionava.
Bloqueio Econômico se Intensifica e Agrava Crise
A sanção publicada nesta quinta-feira (8) se soma a um contexto de bloqueio econômico mais amplo. Isso inclui um bloqueio naval contra a Venezuela a partir do final de 2025, impedindo a venda de petróleo para Cuba, e ameaças de tarifas iniciadas em janeiro, que resultaram em três meses sem recebimento de petróleo pela ilha.
O bloqueio energético tem causado um impacto direto na vida dos cubanos, com aumento de apagões, elevação dos preços de produtos básicos, redução do transporte público e diminuição da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Moradores de Havana consultados pela Agência Brasil consideram este o pior momento do país.
A professora Caridade Massón destaca que a situação econômica está muito difícil, com carência de eletricidade, combustível e medicamentos. Ela critica a inação global frente à interferência dos EUA, afirmando que “o objetivo é afogar os cidadãos cubanos pela fome e pela necessidade”.
O que isso muda na prática: As novas sanções e o bloqueio impactam diretamente a população, gerando mais escassez e dificuldades financeiras, elevando os preços e precarizando serviços essenciais como energia e transporte. Isso cria um cenário de vulnerabilidade para empresas com negócios em Cuba, que podem se retirar do país, como apontado pela historiadora.
EUA Justificam Medidas por Segurança Nacional
Em comunicado oficial, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que as medidas são necessárias para “proteger a segurança nacional dos Estados Unidos”. Ele enquadrou as sanções em uma campanha abrangente do governo Trump para enfrentar “ameaças urgentes à segurança nacional representadas pelo regime comunista de Cuba”.
Os EUA acusam a Gaesa de “corrupção”, alegando que os dirigentes da empresa “roubam Cuba por meio do turismo”. Contudo, a historiadora Caridade Massón pondera que casos de corrupção podem ocorrer em qualquer companhia, mas que não há provas concretas apresentadas para as acusações contra a Gaesa.
Em resposta, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o povo cubano e o mundo já conhecem a crueldade das ações do governo dos EUA. Ele classificou as sanções como uma “agressão unilateral contra uma nação e seu povo cuja única ambição é viver em paz, senhores do próprio destino e livres da interferência perniciosa do imperialismo estadunidense”.
O que isso muda na prática: A escalada da retórica e das sanções por parte dos EUA acentua a tensão geopolítica, com Cuba denunciando a interferência externa e o impacto humanitário das medidas. Essa dinâmica mantém um clima de instabilidade na região e afeta as relações internacionais da ilha.