A diretoria-colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) debate nesta semana uma proposta de instrução normativa para regulamentar os medicamentos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. A medida visa conter o uso indiscriminado e o crescente mercado ilegal desses fármacos, que impactam diretamente a segurança da saúde pública no Brasil. O Resumo explica e descomplica para você.
Anvisa reforça controle contra uso indevido
A discussão da Anvisa busca estabelecer procedimentos e requisitos técnicos para medicamentos como a semaglutida, tirzepatida e liraglutida. A agência tem intensificado suas ações para coibir o comércio ilegal, que inclui versões manipuladas sem autorização e a venda sem receita médica, algo proibido atualmente.
O que isso muda na prática: A regulamentação proposta pela Anvisa pode significar maior rigor na aquisição e fiscalização, protegendo o consumidor de produtos irregulares e minimizando os riscos associados ao uso inadequado dessas substâncias.
Conselhos profissionais e agências unem forças
Em uma frente conjunta, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO), o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e a própria Anvisa assinaram este mês uma carta de intenção. O objetivo central é promover o uso racional e seguro das canetas emagrecedoras, prevenindo riscos sanitários.
A iniciativa prevê:
– Troca de informações estratégicas entre os órgãos.
– Alinhamento técnico para padronização de condutas.
– Ações educativas direcionadas à população e profissionais.
O que isso muda na prática: Essa união de entidades amplia a rede de fiscalização e informação, criando um ambiente mais seguro para pacientes e desestimulando a procura por medicamentos de fontes duvidosas, impactando positivamente a saúde pública.
Especialista alerta sobre benefícios e perigos da automedicação
Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), reconhece as canetas emagrecedoras como uma “revolução” no tratamento da obesidade e diabetes, destacando sua eficácia no controle da glicose e na redução do risco cardiovascular. Contudo, o especialista expressa grande preocupação com o uso indiscriminado, que pode levar a “consequências condenatórias”.
Dornelas ressalta que os medicamentos:
– Ajudam no controle da glicose.
– Retardam o esvaziamento gástrico, promovendo saciedade.
– Diminuem o risco cardiovascular em pacientes crônicos.
O que isso muda na prática: A orientação profissional se torna crucial. Embora esses fármacos ofereçam grande potencial terapêutico, o alerta do especialista reforça que seu uso deve ser estritamente médico, dada a complexidade de seus mecanismos e os riscos de efeitos adversos graves sem acompanhamento.
Anvisa investiga importação massiva e irregularidades no mercado
A Anvisa realizou um levantamento que aponta uma importação de insumos farmacêuticos para manipulação de canetas emagrecedoras “incompatível com o mercado nacional”. Dados indicam que, apenas no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 quilos de insumos, quantidade suficiente para aproximadamente 20 milhões de doses. A agência também apreendeu 1,3 milhão de medicamentos por algum grau de ilegalidade ou irregularidade.
Para conter o problema, a Anvisa determinou que farmácias e drogarias retenham as receitas de canetas emagrecedoras desde junho do ano passado. Dornelas chega a defender a ideia de um bloqueio temporário da manipulação dessas drogas injetáveis, mesmo que por um período transitório, até que a fiscalização possa se adequar ao volume do mercado.
O que isso muda na prática: A dimensão da importação e das apreensões evidencia um mercado paralelo robusto e perigoso. O bloqueio ou a retenção de receitas impacta diretamente o acesso, visando desarticular essas redes e proteger a população de medicamentos sem garantia de origem ou eficácia, com potencial impacto financeiro e na saúde do leitor.