A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a PEC do fim da escala 6×1, uma das propostas trabalhistas mais debatidas do país nos últimos anos. O texto reduz a jornada semanal máxima de trabalho de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso por semana.
A votação aconteceu nesta terça-feira (27) e colocou o tema entre os assuntos mais pesquisados do Brasil. Agora, a proposta segue para análise do Senado Federal.
Na prática, o fim da escala 6×1 pode mudar a rotina de milhões de brasileiros que hoje trabalham seis dias por semana com apenas um dia de folga.

O Resumo explica e descomplica para você.
O que é o fim da escala 6×1?
Hoje, a Constituição permite jornadas de até:
- 44 horas semanais;
- seis dias consecutivos de trabalho;
- apenas um dia de descanso.
Esse modelo é conhecido como escala 6×1.
A PEC aprovada pela Câmara muda essa lógica:
- reduz a jornada máxima para 40 horas;
- cria dois dias de descanso semanal;
- estabelece uma escala padrão 5×2.
Segundo a Câmara dos Deputados, a proposta mantém:
- salários;
- direitos trabalhistas;
- acordos coletivos;
- regras específicas para algumas categorias.
O que muda para os trabalhadores?
Se a PEC virar lei, o trabalhador terá:
- jornada máxima de 40 horas por semana;
- dois dias de descanso remunerado;
- limite de oito horas diárias mantido.
O texto também prevê:
- manutenção dos salários;
- preservação de acordos coletivos;
- possibilidade de regras específicas para áreas essenciais.
Entre os setores que podem ter regulamentações próprias estão:
- saúde;
- segurança;
- transporte;
- limpeza urbana.
A mudança será imediata?
Não totalmente.
A proposta cria uma transição em duas etapas.
Primeira fase
Após 60 dias da promulgação:
- a jornada cai de 44 para 42 horas;
- já passa a existir dois dias de descanso semanal.
Segunda fase
Após 12 meses:
- entra em vigor a jornada definitiva de 40 horas semanais.
Segundo o acordo anunciado pela Câmara e pelo governo federal, a transição busca dar tempo de adaptação para empresas e setores econômicos.

O salário pode diminuir?
Não.
Um dos pontos considerados “inegociáveis” durante a tramitação foi justamente a manutenção salarial.
O texto aprovado prevê:
- redução da jornada;
- sem redução de salário.
Esse foi um dos principais pontos defendidos pelo governo e pela cúpula da Câmara.
Como foi a votação na Câmara?
A PEC teve ampla aprovação.
Primeiro turno
- 472 votos favoráveis;
- 22 votos contrários.
Segundo turno
- 461 votos favoráveis;
- 19 votos contrários.
A proposta aprovada foi a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), relatada pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA).

Como votaram os partidos?
Segundo dados divulgados pela Câmara:
- partidos de esquerda e centro votaram majoritariamente a favor;
- houve apoio significativo inclusive em legendas do centrão;
- parte da oposição também apoiou o texto;
- a maior resistência veio de parlamentares ligados a setores empresariais mais conservadores.
O PL teve divisão interna durante as discussões, embora lideranças do partido tenham defendido modelos alternativos, como escala 4×3.
O fim da escala 6×1 já está valendo?
Ainda não.
Apesar da aprovação na Câmara, a PEC ainda precisa:
- passar pelo Senado;
- ser aprovada em dois turnos;
- ser promulgada pelo Congresso.
Somente depois disso as novas regras começarão a valer oficialmente.
Por que o tema ganhou tanta força?
A discussão sobre o fim da escala 6×1 cresceu rapidamente nas redes sociais nos últimos meses.
O tema ganhou apoio popular principalmente entre trabalhadores de:
- comércio;
- supermercados;
- farmácias;
- restaurantes;
- serviços;
- telemarketing.
Muitos relatos nas redes mencionam:
- exaustão;
- burnout;
- falta de convivência familiar;
- dificuldade de descanso;
- impactos na saúde mental.
Ao mesmo tempo, setores empresariais demonstram preocupação com:
- custos;
- adaptação operacional;
- impacto sobre pequenas empresas.
O Brasil já reduziu jornada antes?
Sim.
Antes da Constituição de 1988, a jornada máxima semanal no Brasil era de 48 horas.
Com a Constituição Federal:
- caiu para 44 horas;
- foi mantido o limite de oito horas diárias.
Agora, a nova PEC propõe a primeira grande redução constitucional da jornada em quase quatro décadas.
O Resumo em pontos
Veja rapidamente o que muda com o fim da escala 6×1 aprovado pela Câmara.
O que a PEC aprova?
A proposta reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e cria dois dias de descanso por semana.
O salário pode diminuir?
Não. O texto aprovado prevê redução da jornada sem corte salarial.
Quando a mudança começaria?
A proposta prevê transição em duas etapas: primeiro para 42 horas e depois para 40 horas semanais.
A nova regra já está valendo?
Ainda não. A PEC precisa ser aprovada também pelo Senado antes de entrar em vigor.