A Justiça francesa reconheceu, nesta quinta-feira (21), a total responsabilidade da Air France e da Airbus pelo acidente do voo AF447, em 1º de junho de 2009, que matou 228 pessoas, incluindo 58 brasileiros. Após anos de batalha judicial, a decisão reverteu uma absolvição anterior, impondo multas por homicídio culposo. O Resumo explica e descomplica para você.
Justiça reverte absolvição e condena empresas por homicídio culposo
A Corte de Apelações de Paris acatou a recomendação do Ministério Público francês, revertendo a decisão de abril de 2023 que havia absolvido as companhias em primeira instância das acusações criminais. Agora, Air France e Airbus foram condenadas a pagar multa por homicídio culposo, caracterizado pela negligência sem intenção de matar.
A multa imposta é de 225 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 1,3 milhão, para cada uma das empresas. Esta sanção vem após o tribunal de 2023 ter admitido apenas a responsabilidade civil das companhias pela queda do avião Airbus A330-203 em meio ao Oceano Atlântico.
O que isso muda na prática para as vítimas
Para os familiares das vítimas, esta condenação representa um reconhecimento formal da culpa das empresas. Embora o valor monetário da multa seja considerado simbólico diante do porte das companhias, a decisão judicial estabelece um “certificado da culpa” da Air France e da Airbus. No entanto, as empresas já manifestaram intenção de recorrer da sentença, prolongando a batalha legal.
Entenda o caso do voo AF447: Linha do tempo da tragédia
O voo AF447 da Air France partiu do Rio de Janeiro com destino a Paris em 1º de junho de 2009. A aeronave, um Airbus A330-203, caiu no Oceano Atlântico, resultando na morte de todos os 228 ocupantes, sendo 216 passageiros e 12 tripulantes. Entre as vítimas, havia 58 brasileiros, tornando o caso de grande relevância nacional.
A investigação apontou falhas técnicas e operacionais como causas do acidente. Após a absolvição em primeira instância em 2023, os parentes das vítimas recorreram e o Ministério Público francês passou a atuar, buscando a condenação das companhias por imprudência e negligência, o que culminou na decisão desta quinta-feira (21).
A Voz das Vítimas: Alívio e Vitória Moral
Maarten Van Sluys, vice-presidente da Associação de Familiares das Vítimas do Voo Air France 447, expressou à Agência Brasil o sentimento de “alívio” e “vitória moral incomensurável”. Ele perdeu a irmã, a assessora de imprensa Adriana Van Sluys, no acidente e acompanhou remotamente o julgamento.
Impacto para os familiares
Para Sluys, a condenação significa que “muito mais do que valores monetários”, a decisão certifica a culpa das empresas. Ele descreveu a sensação de “justiça feita” e de poder dizer à irmã que a luta “não foi em vão”, trazendo um fechamento emocional importante após anos de incerteza legal.