Lares chefiados por mulheres negras das regiões Norte e Nordeste enfrentam a situação mais crítica de insegurança alimentar grave, conforme aponta um levantamento recente. O estudo “As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023)” revela um cenário complexo de fome e desigualdade que persiste no país. O Resumo explica e descomplica para você.
Desigualdade Aprofundada: Quem mais sofre com a fome no Brasil
A pesquisa, desenvolvida por Veruska Prado e Rute Costa, com promoção da organização Fian Brasil, detalha a correlação entre raça, gênero e a incidência da fome no Brasil.
– O estudo “As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023)” analisou a situação alimentar entre 2017 e 2023.
– As autoras Veruska Prado e Rute Costa destacam que “Ser mulher e negra significou maior convivência com as desigualdades e injustiças alimentares”.
O que isso muda na prática: Essa constatação exige um olhar mais atento às interseccionalidades de raça e gênero na formulação de políticas públicas, para que as soluções sejam eficazes para os grupos mais vulneráveis.
Prevalência da Fome: Números que Exigem Atenção Urgente
Os dados do levantamento mostram uma clara disparidade na prevalência da insegurança alimentar grave entre os diferentes grupos demográficos, com as regiões Norte e Nordeste apresentando os piores índices.
– Lares chefiados por mulheres negras registram a maior taxa, com 38,5% de insegurança alimentar.
– Domicílios liderados por homens negros apresentam 28,9% de insegurança alimentar.
– Lares com mulheres brancas na chefia registram 22,2%.
– Lares chefiados por homens brancos têm o menor índice, com 15,7% de insegurança alimentar.
– Nas regiões Norte e Nordeste, quase metade dos lares chefiados por mulheres negras vivenciam algum grau de insegurança alimentar (46,3% e 45,7%, respectivamente).
– A insegurança alimentar é mais frequente na zona rural do que na urbana, reforçando a necessidade de políticas específicas para o campo.
O que isso muda na prática: Os números evidenciam que a cor da pele, o gênero e a localização geográfica são determinantes cruciais para o acesso à alimentação, impactando diretamente o bem-estar e a saúde de milhões de brasileiros.
Trabalho e Renda: Como a Ocupação Influencia a Segurança Alimentar
A pesquisa também investiga a relação entre a inserção no mercado de trabalho e a garantia de acesso a alimentos, revelando que a desigualdade persiste mesmo entre aqueles com ocupação formal.
– “A inserção no mercado de trabalho formal e o tipo de ocupação influenciam fortemente a situação alimentar dos domicílios”, aponta a publicação.
– Mulheres negras em trabalho formal enfrentam a mesma frequência de fome que homens brancos em trabalho informal, conforme destacado pelas autoras.
– Entre o grupo de empregadores, a segurança alimentar varia: lares chefiados por mulheres brancas (95,2%), homens brancos (93,8%), mulheres negras (89,4%) e homens negros (89%).
O que isso muda na prática: Mesmo com um emprego formal, a desigualdade racial e de gênero impede que certos grupos, como as mulheres negras, garantam plenamente a segurança alimentar de suas famílias, refletindo desafios estruturais no mercado de trabalho.
Políticas Públicas Essenciais: O Caminho para Combater a Desigualdade Alimentar
As autoras e especialistas apontam que a reversão do quadro de insegurança alimentar está intrinsecamente ligada à implementação e fortalecimento de políticas sociais eficazes, como as observadas em períodos recentes.
– Rute Costa, professora adjunta do Instituto de Alimentação e Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enfatiza que “a segurança alimentar é sensível às políticas sociais”.
– A retomada do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e o fortalecimento do Bolsa Família em 2023 são citados como ações cruciais.
– O estudo analisa o período imediatamente anterior ao anúncio da nova saída do Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), prevista para 2025.
– A insegurança alimentar grave (fome) no Brasil reduziu de 15,5% em 2022 para 4,1% em 2023, demonstrando o impacto positivo das políticas de suporte.
O que isso muda na prática: O investimento em programas sociais e a atenção a órgãos como o Consea são fundamentais para reverter o quadro de fome e desigualdade, impactando diretamente a qualidade de vida, a saúde e o futuro socioeconômico do país, especialmente das populações mais vulneráveis.