Um atlas digital inovador que mapeia rotas de migração e áreas de repouso de 89 espécies de aves das Américas foi lançado nesta quinta-feira (26 de outubro), durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias (COP15), em Campo Grande. Essa ferramenta inédita possui relevância nacional, guiando políticas públicas e licenciamentos ambientais no país. O Resumo explica e descomplica para você.
Atlas Digital Impulsiona a Conservação de Aves Migratórias
A ferramenta, disponível online, é o Atlas de Rotas Migratórias das Américas, que mapeia 89 espécies de aves migratórias das Américas, identificando seus locais de parada e repouso mais importantes. O objetivo é direcionar os esforços de governos e a cooperação internacional para as áreas que mais precisam de atenção.
Braulio Dias, Diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ressalta o potencial do atlas para:
O que isso muda na prática: As informações detalhadas do atlas permitem que o Brasil e outros países direcionem seus recursos de forma mais eficiente, protegendo ecossistemas vitais para a sobrevivência de espécies ameaçadas. Isso resulta em um impacto positivo na biodiversidade e no equilíbrio ambiental do continente.
Atlas Otimiza Licenciamento Ambiental e Reduz Riscos
Braulio Dias enfatiza que o processo de licenciamento ambiental para diversos empreendimentos será diretamente beneficiado com as informações disponibilizadas pela ferramenta. O diretor do MMA destaca que a integração de dados é fundamental para projetos como:
Segundo Dias, a localização inadequada dessas infraestruturas pode resultar em alta mortalidade de aves e morcegos. O atlas permite visualizar as Áreas de Concentração de Aves (ACAs) em um mapa interativo, demonstrando, por espécie, a trajetória percorrida em cada época do ano.
O que isso muda na prática: A integração dos dados do atlas nos estudos de impacto ambiental significa menos burocracia e mais segurança para os projetos. Com a ferramenta, empresas podem evitar locais críticos para a fauna, protegendo as espécies e minimizando riscos de multas ou atrasos em seus empreendimentos.
Ciência Cidadã e Colaboração Internacional Fortalecem Ferramenta
A base de dados do atlas faz uso de milhões de registros gerados por ciência-cidadã na plataforma eBird e deverá ser ampliada, chegando a 622 espécies que percorrem 56 países nas rotas migratórias das Américas. Essas rotas se estendem do Ártico canadense à Patagônia chilena.
Christopher Wood, diretor do Centro de Estudos de Populações de Aves do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, que participou do desenvolvimento, ressalta que o atlas mostra o que é possível quando se reúnem milhões de observações de aves, a partir da contribuição de pessoas de toda a América.
Um exemplo de ave catalogada é o pássaro conhecido como veste-amarela ou pássaro-preto-de-veste-amarela, que em sua jornada passa pelo Sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. A espécie sofre com declínio acentuado da população e integra a lista de espécies ameaçadas de extinção da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS).
O atlas é resultado de uma iniciativa do secretariado da CMS, em parceria com o Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (USFWS).
O que isso muda na prática: Além de ser uma ferramenta vital para conservação, o atlas democratiza o acesso à informação, permitindo que a sociedade em geral, incluindo entusiastas de aves e o setor de turismo ecológico, planeje atividades com base em dados científicos. Amy Fraenkel, secretária executiva da CMS, destaca que o atlas reforça o compromisso de fortalecer a conectividade ecológica transfronteiriça, crucial para as espécies migratórias.