O Rio de Janeiro se torna o palco de um encontro científico internacional de grande relevância, sediando o 3º Simpósio BBNJ a partir desta terça-feira (10).
O evento é crucial para debater o Tratado do Alto-Mar, um marco global na proteção de dois terços dos oceanos que não pertencem a nenhum país.
Com foco na ciência para a implementação efetiva do acordo, o impacto transcende fronteiras, afetando a vida marinha e o equilíbrio climático global. O Resumo explica e descomplica para você.
Simpósio BBNJ Discute Futuro da Proteção Oceânica no Rio
O 3º Simpósio sobre Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional (BBNJ) reúne especialistas e representantes de governos e da sociedade civil no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, para discutir a conservação do Alto-Mar.
Detalhes do Encontro:
– Evento: 3º Simpósio BBNJ
– Período: De terça-feira (10) a quinta-feira (12)
– Local: Museu do Amanhã, Rio de Janeiro
– Organização: Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO)
– Participantes: Pesquisadores, representantes governamentais, organismos internacionais e sociedade civil.
– Foco: Papel da ciência e do conhecimento para o funcionamento efetivo do Tratado do Alto-Mar no âmbito das Nações Unidas.
O que isso muda na prática: As discussões científicas neste simpósio são a base para transformar o Tratado do Alto-Mar em ações concretas, garantindo que a proteção dos oceanos seja eficaz e sustentável, com impacto direto na saúde do planeta e nos recursos naturais globais.
Tratado do Alto-Mar: Marco Essencial para Águas Internacionais
O simpósio ocorre pouco tempo após o início da implementação do Tratado sobre a Conservação e Uso Sustentável da Diversidade Biológica Marinha em Áreas Além da Jurisdição Nacional, em janeiro de 2026, popularmente conhecido como Tratado do Alto-Mar.
Aspectos do Acordo:
– Objetivo: Regulamentar a proteção da biodiversidade em águas internacionais, que correspondem a dois terços dos oceanos.
– Duração: Quase duas décadas de negociações multilaterais até sua aprovação.
– Signatários: 86 países já assinaram o documento.
– Abrangência: As áreas de Alto-Mar não pertencem oficialmente a nenhum país, tornando a cooperação internacional fundamental para sua governança.
O que isso muda na prática: Sem o Tratado do Alto-Mar, dois terços dos oceanos estariam desprotegidos e sujeitos a exploração irrestrita. Sua implementação garante a sustentabilidade da vida marinha, essencial para o clima e a segurança alimentar global, beneficiando a todos, inclusive países não costeiros, com um impacto direto na economia azul e no bem-estar mundial.
Desafios e Eixos de Implementação do Tratado Global
Apesar do grande avanço diplomático, o Tratado enfrentará desafios técnicos, institucionais e científicos para sair do campo das discussões e ser efetivamente implementado. Andrei Polejack, diretor de Pesquisa e Inovação do INPO, afirma que o simpósio foca em questões ainda não detalhadas no texto do Tratado, que demandarão fortes evidências científicas para sua regulamentação. Ademilson Zamboni, diretor-geral da Oceana, ressalta que o acordo, ao estabelecer regras além das jurisdições nacionais, trará benefícios para os oceanos como um todo, mas implica um esforço maior para encontrar soluções comuns de governança.
O Tratado está estruturado em quatro eixos principais:
– Capacitação e transferência de tecnologias marinhas.
– Acesso e repartição justa e equitativa de benefícios derivados dos recursos genéticos marinhos.
– Medidas de manejo baseadas em áreas, como as marinhas protegidas.
– Avaliação de impacto ambiental.
O que isso muda na prática: A complexidade da implementação exige cooperação global para superar desafios técnicos e financeiros. O sucesso do Tratado significa um futuro com oceanos mais resilientes, impactando a biodiversidade, a regulação climática e a economia azul em escala mundial, além de promover a segurança ambiental para as próximas gerações.