A Venezuela anunciou nesta sexta-feira a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos, apenas seis dias após a operação militar em Caracas que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. A decisão foi confirmada por meio de comunicado oficial divulgado pelo governo interino venezuelano.
O que foi anunciado por Caracas
No comunicado, o governo venezuelano afirmou que a retomada das relações diplomáticas tem como objetivo tratar as consequências da ofensiva militar, que Caracas classifica como “agressão criminal, ilegítima e ilegal”. Segundo o texto, a reabertura das missões busca discutir o que o governo chama de sequestro do presidente e da primeira-dama, além de estabelecer uma agenda mínima de interesses mútuos entre os dois países.
A presidente interina Delcy Rodríguez declarou que mais de 100 pessoas morreram, entre civis e militares, durante a operação do último sábado, caracterizando o episódio como violação do direito internacional.
Delegação americana chega a Caracas após sete anos
No mesmo dia do anúncio, uma delegação oficial dos Estados Unidos desembarcou em Caracas, marcando a primeira presença diplomática americana no país desde 2019. A equipe é composta por diplomatas e agentes de segurança vinculados à Unidade de Assuntos da Venezuela, sediada na Colômbia.
Segundo o Departamento de Estado, a missão tem caráter técnico e exploratório, com foco na avaliação de condições de segurança, infraestrutura e viabilidade para uma eventual reabertura gradual da embaixada dos EUA. O governo americano informou que ainda não há decisão formal sobre a retomada das operações, que dependerá de autorização do presidente Donald Trump.
Caracas também quer enviar delegação a Washington
O governo venezuelano confirmou que pretende enviar uma delegação diplomática aos Estados Unidos. De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, Delcy Rodríguez solicitou autorização para viajar a Washington, o que exigiria uma licença especial do Tesouro americano, já que ela é alvo de sanções por violações de direitos humanos.
O pedido ocorre em um contexto politicamente sensível, já que Trump indicou que deve se reunir nos próximos dias com María Corina Machado, principal líder da oposição venezuelana. Caso ambas as agendas se confirmem, representantes do chavismo e da oposição estariam simultaneamente na capital americana.
Análise: diálogo começa sob forte tensão
A retomada do diálogo diplomático ocorre sem sinal de normalização imediata das relações. O movimento indica uma tentativa de conter a escalada internacional após a operação militar, enquanto Washington avalia os impactos políticos, jurídicos e estratégicos de uma reaproximação.
O cenário permanece instável, com negociações ainda em fase preliminar e sem garantias de encontros formais entre autoridades de alto nível nos próximos dias.












