Enquanto muitos celebravam o Dia do Trabalhador (1º de maio), milhões de mulheres enfrentam uma jornada exaustiva, comparável a uma escala 7×0 no trabalho de cuidado não remunerado. Essa realidade, que atinge predominantemente as brasileiras, revela uma profunda desigualdade social e econômica que impacta o desenvolvimento do país. O Resumo explica e descomplica para você.
Mulheres Cumprem Jornada 7×0 no Cuidado
A professora Cibele Henriques, do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que o trabalho de cuidado é uma jornada ininterrupta para muitas mulheres, sem distinção de feriados ou fins de semana.
O que isso muda na prática: Essa disparidade temporal significa que o “tempo é dinheiro” é expropriado das mulheres, limitando seu acesso ao lazer, educação e desenvolvimento profissional. Isso reforça ciclos de pobreza e desigualdade, impedindo que elas invistam em si mesmas e em suas carreiras.
Raízes Históricas Explicam a Desigualdade de Gênero
Segundo a professora Henriques, a desigualdade no cuidado possui raízes históricas profundas, construídas e mantidas por um discurso simbólico que desonera os homens e sobrecarrega as mulheres.
O que isso muda na prática: Ao reconhecer que o “amor” pelo cuidado é, na verdade, trabalho não pago, a sociedade pode pressionar por políticas públicas que valorizem esse trabalho e incentivem a divisão equitativa das tarefas. Isso é crucial para combater a sobrecarga psíquica, física e social que afeta milhões de mulheres.
Trabalho de Cuidado Afeta Saúde e Oportunidades
A sobrecarga do trabalho de cuidado não remunerado se traduz diretamente na perda de saúde mental e social para as mulheres, além de restringir suas oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.
O que isso muda na prática: O cenário atual exige que as políticas públicas ampliem seu foco, considerando não apenas a jornada de trabalho remunerada, mas também o tempo dedicado ao cuidado. Investimentos em creches, centros de apoio a idosos e campanhas de conscientização sobre a divisão de tarefas são essenciais para promover um desenvolvimento social mais justo e equitativo.