A LVMH, gigante do luxo e dona de marcas como Louis Vuitton e Dior, perdeu mais da metade de seu valor de mercado desde o pico de 2023, revertendo os ganhos da era pandêmica. A queda reflete um cenário de consumo global mais desafiador, especialmente entre os compradores ‘aspiracionais’.
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Desvalorização e impacto no mercado
A capitalização da LVMH, listada em Paris, caiu de US$ 500 bilhões em 2023 para 213 bilhões de euros, aproximando-se dos níveis pré-pandemia de janeiro de 2020. Isso ocorre mesmo com a empresa registrando 17,8 bilhões de euros de lucro em 2025, um aumento de 50% sobre 2019.
Consumidor “aspiracional” e alta de preços
A retração do setor de luxo começou há cerca de três anos, impulsionada pela inflação que reduziu o poder de compra dos consumidores de classe média, os chamados ‘aspiracionais’. A consultoria Bain estima que 60 milhões desses clientes deixaram de comprar produtos de luxo, parcialmente devido aos preços que subiram entre 50% e 70% desde 2019.
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Cenário global e demanda chinesa
Turbulências geopolíticas, disputas comerciais e a guerra no Oriente Médio agravaram a situação, afetando o ‘sentimento de bem-estar’ dos consumidores. A demanda fraca na China, antes motor de crescimento, também contribui, com consumidores mais cautelosos devido à queda nos preços de imóveis e desempenho do mercado acionário.
Joias em alta e sucessão na LVMH
Enquanto isso, o segmento de joias mostra resiliência: a Richemont (Cartier) valorizou 28% em seis meses, atingindo 100 bilhões de euros. Marcas de joias da LVMH, como Tiffany e Bvlgari, também se destacam, com consumidores preferindo joias a bolsas de alto valor. A sucessão de Bernard Arnault, 77, fundador da LVMH, permanece uma questão chave para investidores.
Apesar da recuperação mais lenta que o esperado, dados recentes dos EUA e Coreia do Sul sugerem que a retração é cíclica, indicando que o mercado de luxo pode reagir positivamente assim que a confiança do consumidor for restabelecida.