Florianópolis, em Santa Catarina, emergiu como um inesperado polo de migração russa no Brasil, atraindo milhares de cidadãos desde o início da guerra na Ucrânia. Este fenômeno impulsiona tanto o turismo de parto quanto a abertura de novos negócios na capital catarinense.
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Turismo de parto e cidadania brasileira
Desde fevereiro de 2022, Santa Catarina registrou 1.317 pedidos de residência de russos, superando São Paulo. Florianópolis concentra 1.176 desses migrantes, quase 90% no estado, segundo dados do Sistema de Registro Nacional Migratório.
Um fator chave é o “turismo de parto”. De 2020 até julho de 2026, 492 crianças de mães russas nasceram em Santa Catarina, conforme a Secretaria de Estado da Saúde. Após a guerra, os nascimentos saltaram de 13 em 2022 para 113 em 2023, um aumento de 769%. No ano anterior, foram 123 bebês, e a expectativa é de novo recorde no ano corrente.
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A cidadania brasileira por Jus Soli (direito de solo) confere um passaporte mais forte (16º no ranking global) que o russo (48º), facilitando a mobilidade internacional em tempos de incerteza.
Novos negócios e a comunidade russa em Florianópolis
A crescente comunidade russa, com mais de 10 mil membros em grupos de Telegram, tem formalizado sua presença econômica. A Junta Comercial de Santa Catarina (Jucesc) registrou 141 empresas abertas em Florianópolis com ao menos um sócio russo desde janeiro de 2022, o que representa cerca de 12% dos russos registrados na capital.
Exemplos incluem o confeiteiro Eugênio Trifonov, que abriu o café Kiss My Cake em Jurerê, e Anastasia Rossa, que inaugurou o estúdio de bem-estar Soul Me, oferecendo aulas em português, russo e inglês. Esses empreendimentos refletem a adaptação e a contribuição da comunidade à economia local.
A presença russa em Florianópolis, concentrada em bairros como Jurerê e Campeche, tem transformado a paisagem cultural e econômica da cidade, com uma integração crescente de serviços e culinária eslava no cotidiano local.