A crescente oferta de títulos com isenção de Imposto de Renda (IR), como CRIs, CRAs e LCIs, está reacendendo o debate no mercado financeiro sobre sua concorrência com os papéis do Tesouro Nacional. Essa disputa tem forçado o governo a pagar juros mais altos para rolar a dívida pública, impactando diretamente as finanças do país.
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Pressão sobre a dívida do Tesouro
Participantes do mercado indicam que uma parcela das taxas elevadas pagas pelo governo na emissão de dívida é resultado da competição com títulos isentos. Essa dinâmica compromete a arrecadação de tributos e dificulta a rolagem da dívida. O Tesouro Nacional, por exemplo, cancelou três leilões de venda de títulos neste ano, incluindo um em junho por dificuldade na formação de preços, com compradores exigindo maior remuneração.
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Crescimento dos títulos com isenção fiscal
Nos últimos anos, o volume de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e do agronegócio (CRAs), letras de crédito imobiliário (LCIs) e do agronegócio (LCAs), além de debêntures incentivadas, mais que triplicou entre 2020 e 2025, atingindo R$ 896,5 bilhões. No mesmo período, as ofertas do Tesouro Nacional cresceram 37% (R$ 1,7 trilhão em 2025) e as de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) aumentaram 78% (R$ 11,4 bilhões).
Vantagem para o investidor e custo adicional
A isenção de IR, concedida pela primeira vez em 2004, eleva a rentabilidade líquida desses títulos, tornando-os mais atrativos para investidores, especialmente pessoas físicas. Isso força produtos tributados a oferecer juros brutos maiores. Um estudo da corretora Warren aponta que cerca de 0,78 ponto percentual da taxa paga pela NTN-B é fruto dessa concorrência. Para mais informações sobre a dívida pública, consulte o Tesouro Transparente.
Impacto nas escolhas de investimento
A competição com produtos isentos cria uma vantagem competitiva que altera os preços relativos dos instrumentos de renda fixa, influenciando a alocação da poupança entre crédito privado e dívida pública. O cenário de juros altos e risco fiscal mantém o debate sobre a política de isenções, com implicações diretas para a gestão da dívida pública e as decisões de investimento dos brasileiros.