📌 O RESUMO DA NOTÍCIA:
- A falência da Oi (OIBR3), decretada em 25 de agosto de 2026, levanta sérias dúvidas sobre a eficácia da recuperação judicial no Brasil.
- O Instituto Empresa critica processos longos, custos elevados e baixa previsibilidade, impactando milhões de acionistas.
- Questões de governança, honorários de administradores e venda de ativos são pontos centrais do debate.
A falência da Oi (OIBR3), decretada em 25 de agosto de 2026, vai além dos problemas financeiros da companhia e expõe fragilidades no sistema brasileiro de recuperação judicial. A situação impactou cerca de 1,4 milhão de acionistas, muitos deles investidores pessoa física que apostavam na recuperação da empresa.
O Instituto Empresa avalia que a trajetória da Oi evidencia falhas como processos longos, custos elevados, disputas entre credores e baixa previsibilidade. A companhia concluiu sua primeira recuperação judicial em 2022, mas retornou ao processo em 2023, culminando na falência com um passivo de R$ 44 bilhões.
Custos e governança sob questionamento
Um dos pontos levantados pelo Instituto Empresa é a remuneração dos administradores judiciais. Reportagens sobre a primeira recuperação judicial mencionaram honorários elevados, como cerca de R$ 70 milhões para um escritório e uma proposta de R$ 317,4 milhões em 2016, além de um pedido complementar de R$ 21,8 milhões. Esses valores levantam dúvidas sobre o controle de custos e a eficiência do processo.
A entidade também questiona a concentração de grandes recuperações judiciais e possíveis conflitos de incentivos, já que o juízo escolhe os administradores. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) chegou a afastar um desembargador de processos da Oi em 2026, reforçando a necessidade de transparência e fiscalização.
Venda de ativos e disputas
A deterioração do patrimônio da Oi e a venda de ativos também geraram controvérsias. A participação da empresa em sua infraestrutura de fibra, avaliada em R$ 12,3 bilhões, teria recebido propostas de apenas R$ 4,5 bilhões. Essa diferença acentuou as perdas patrimoniais e gerou resistência entre credores.
Disputas com fundos credores, acusações de influência e uma tentativa de reestruturação nos EUA (Chapter 15) com custos estimados em US$ 100 milhões em honorários advocatícios, também marcaram a trajetória da Oi.
O caso da Oi, portanto, encerra uma tese de investimento e reforça a urgência de discutir governança, fiscalização e prevenção de conflitos no sistema de recuperação judicial brasileiro.