📌 O RESUMO DA NOTÍCIA:
- Um número recorde de 757 empresas brasileiras divulgou seus inventários de emissões de carbono referentes a 2025.
- O total de emissões indiretas (escopo 3) declarado por essas companhias atingiu 1,18 bilhão de toneladas de CO2e.
- Os dados estão disponíveis na plataforma Registro Público de Emissões, mantida pela FGV.
- O setor do agronegócio teve aumento de 38% na participação, refletindo maior engajamento na agenda climática.
O Brasil registrou um número recorde de empresas que publicam dados sobre suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) ao Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHG). Em 2026, 757 organizações entregaram inventários referentes à poluição gerada em 2025, um aumento de 12% em relação ao ano anterior.
Essas informações, acessadas com exclusividade pela Folha, serão apresentadas e disponibilizadas na plataforma Registro Público de Emissões, mantida pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O crescimento na participação reflete a crescente importância da agenda climática no setor corporativo.
Emissões diretas e indiretas
As 757 empresas participantes declararam um total de 213 milhões de toneladas de CO2e em emissões diretas (escopo 1) em 2025. Já as emissões ligadas ao consumo de energia (escopo 2) somaram 8,1 milhões de toneladas de CO2e.
O maior volume foi registrado no escopo 3, que abrange as emissões indiretas produzidas nas cadeias de valor das empresas, alcançando 1,18 bilhão de toneladas de CO2e em 2025. Para comparação, o desmatamento no Brasil gerou 805 milhões de toneladas de CO2e em 2022.
Setores em destaque
Guilherme Lefevre, gestor do PBGHG, destaca o maior engajamento de setores que antes pouco reportavam, como o agronegócio. Neste ano, 62 organizações do setor de agricultura, pecuária, floresta e pesca participaram, um aumento de 38% em relação ao ciclo de 2025.
Embora a representatividade do agronegócio ainda seja de apenas 0,8% das emissões diretas do setor, outras categorias mostram maior cobertura. Cerca de 75% da poluição gerada em processos industriais e 55% das emissões da combustão estacionária já estão registradas nos relatórios do programa. A metodologia do GHG Protocol foi criada na década de 1990 pelo WRI (World Resources Institute) e o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável.
O recorde de participação e a divulgação desses dados reforçam a tendência de maior transparência e responsabilidade ambiental por parte das empresas brasileiras, um movimento crucial para o acompanhamento e a mitigação das mudanças climáticas.