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Milei na Argentina: Inflação em Alta, Economia Recua e Corrupção Abala

Por Élcio Jardim
7 de maio de 2026
em Mundo
Milei na Argentina: Inflação em Alta, Economia Recua e Corrupção Abala

© Reuters/Matías Baglietto/Proibida reprodução

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O governo do presidente Javier Milei na Argentina enfrenta seu período mais desafiador, com a inflação em aceleração, a economia em queda e novos escândalos de corrupção. Em março deste ano, os indicadores econômicos trouxeram dados negativos que abalam a popularidade. O Resumo explica e descomplica para você.

Inflação Acelera e Atividade Econômica Recua em Março

Após uma breve desaceleração, a inflação voltou a ser um desafio central para a gestão Milei, que havia prometido controle rígido dos preços. Os dados mais recentes, divulgados em março deste ano, indicam uma reversão preocupante no cenário econômico argentino.

– Inflação mensal: Atingiu 3,4% em março deste ano.

– Reconhecimento público: O próprio presidente Javier Milei admitiu que “o dado é ruim” em uma rede social.

– Retração econômica: A atividade econômica apresentou queda de 2,6% em fevereiro, se comparado a janeiro.

– Acúmulo anual: Há uma queda acumulada de 2,1% na atividade econômica nos últimos 12 meses.

O que isso muda na prática: A aceleração da inflação erosiona diretamente o poder de compra dos argentinos, encarecendo produtos e serviços. Simultaneamente, a retração econômica significa menos empregos e menor movimentação no comércio, impactando o dia a dia da população e a capacidade das empresas de prosperar.

Produção Industrial Despenca e Gera Alerta de Especialistas

A situação da indústria argentina é particularmente alarmante, com quedas consecutivas que preocupam economistas e indicam um cenário de desindustrialização, comprometendo o futuro econômico do país.

– Produção industrial: Registrou queda de 4% em fevereiro.

– Acúmulo anual: A redução chega a 8,7% nos últimos 12 meses.

– Análise de Paulo Gala: O professor de economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP) classificou o plano econômico de Milei como “simplista” e destacou a sobrevalorização do peso argentino, que, segundo ele, “destrói a indústria do país” e fomenta empréstimos em dólar.

– Projeção: Gala alerta para uma tendência de desindustrialização, com foco exclusivo no setor agroexportador, e não descarta um cenário de recessão e possível nova crise cambial com enorme dívida em dólares.

O que isso muda na prática: A desindustrialização limita as oportunidades de emprego em setores de maior valor agregado, freia o desenvolvimento tecnológico e torna a Argentina mais vulnerável às oscilações do mercado de commodities. A longo prazo, isso pode comprometer a soberania econômica e a capacidade de inovação do país.

Escândalos de Corrupção Abalam Promessa "Anti-Casta" de Milei

Além dos desafios econômicos, o governo Milei enfrenta uma crise de popularidade impulsionada por casos de corrupção, em contradição direta com seu discurso eleitoral de combate à “casta política”.

– Caso Manuel Adorni: O chefe de gabinete de Milei está sob investigação por suposto enriquecimento ilícito, com denúncias envolvendo viagens de luxo e a compra e reforma de imóveis supostamente incompatíveis com sua renda.

– Queda de popularidade: As pesquisas de opinião têm registrado índices de desaprovação superiores a 60% para o presidente Milei, marcando os piores números desde sua posse em dezembro de 2023.

– Pesquisa Atlas Intel: No final de abril, indicou uma reprovação de 63% da figura de Milei, com aprovação de apenas 35%.

– Percepção Pública (Zentrix): 66,6% da população avalia que a promessa “anti-casta” de combate à corrupção foi quebrada, com a corrupção surgindo como o principal desafio do país, superando desemprego e inflação.

– Análise de Leandro Gabiati: O cientista político argentino explicou à Agência Brasil que a eleição de Milei foi baseada no discurso anticorrupção, e casos envolvendo funcionários de seu governo, como o chefe de gabinete, afetam profundamente a imagem e desgastam a gestão.

O que isso muda na prática: A quebra da promessa de combate à corrupção mina a confiança da população no governo, gera instabilidade política e pode dificultar a aprovação de reformas. Isso impacta a governabilidade, a credibilidade das instituições e a percepção de justiça social, afetando o apoio popular e o cenário político.

Tags: ArgentinaEconomiaindústriaInflaçãoMilei
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