Ataques intensificados de Israel e Estados Unidos atingiram mais de 380 unidades de saúde no Líbano e Irã, gerando uma crise humanitária grave e violando o direito internacional nesta terça-feira (24 de março). A situação agrava a instabilidade regional, com consequências diretas para a população civil e o cenário geopolítico mundial. O Resumo explica e descomplica para você.
Líbano Enfrenta Crise Humanitária Após Ataques
O Ministério da Saúde libanês informou, nesta terça-feira (24 de março), que 70 unidades de saúde foram atingidas por bombardeios desde o dia 2 de março. A Agência Nacional de Notícias do Líbano relatou o assassinato de dois paramédicos na cidade de Nabatieh, após um ataque de Israel contra um comboio de motocicletas.
O balanço geral dos ataques a unidades de saúde no Líbano é alarmante, registrando 42 profissionais mortos e 119 feridos. As ações forçaram o fechamento de cinco hospitais, causaram danos parciais a outras nove unidades e inativaram ao menos 54 unidades básicas de saúde, segundo dados do governo local.
A Força de Defesa de Israel (FDI) afirma que o Hezbollah tem feito “uso militar extensivo” de ambulâncias e instalações médicas, e que agirá contra o grupo caso a prática persista, de acordo com o porta-voz Avichay Adraee em comunicado ao The Times Of Israel. Contudo, a Anistia Internacional destaca que Israel não apresenta provas das acusações e que o país já utilizou a estratégia de assassinato de profissionais de saúde no conflito de 2024 no Líbano. Kristine Beckerle, diretora Regional Adjunta para o Oriente Médio e Norte da África da Anistia Internacional, enfatiza que acusações sem provas não justificam ataques a hospitais ou profissionais.
O que isso muda na prática: A destruição da infraestrutura de saúde no Líbano significa que milhares de pessoas, incluindo os mais de 2,9 mil feridos pelo conflito e pacientes regulares, ficam sem acesso a cuidados básicos essenciais. Isso agrava profundamente a crise humanitária, gerando insegurança e instabilidade social a longo prazo para a população, com impacto direto na segurança e bem-estar dos cidadãos.
Irã Denuncia Centenas de Unidades Médicas Danificadas
No Irã, o Ministério da Saúde local informou, também nesta terça-feira (24 de março), que ataques de Israel e dos EUA causaram danos a 313 centros médicos, hospitais, ambulâncias e outros equipamentos do sistema de saúde. Esses ataques teriam assassinado 23 profissionais da área no país.
A Crescente Vermelha Iraniana, organização de ajuda humanitária, corroborou os dados, detalhando que 281 centros médicos, hospitais, farmácias e filiais foram danificados. O presidente da entidade, Pir-Hossein Kolivand, acrescentou que 17 bases da Cruz Vermelha e 94 ambulâncias ou veículos de resgate foram diretamente alvejados por mísseis. A Organização Mundial da Saúde (OMS) havia registrado ataques a 20 unidades de saúde no Irã, com nove mortes, até 18 de março, indicando uma escalada recente nos números.
Os Estados Unidos, por sua vez, negam ataques a instalações civis no Irã. O secretário de Estado, Marco Rubio, ponderou que “efeitos colaterais” dos ataques são possíveis durante os combates, mas sem assumir a responsabilidade direta pelos danos a centros médicos.
O que isso muda na prática: A incapacidade de hospitais e centros médicos funcionarem plenamente no Irã impede o atendimento a emergências e doenças crônicas, expondo a população a riscos ainda maiores de saúde. Isso mina a capacidade do país de lidar com qualquer crise, aumenta a percepção de vulnerabilidade e alimenta a tensão política interna e regional, afetando o cenário político e a segurança pública.
Especialistas Apontam Ataques como Tática de Guerra
O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi avalia que o alto número de unidades de saúde atacadas no Irã e no Líbano indica uma estratégia deliberada, e não meros efeitos colaterais da guerra. Assi classifica esses atos como um “crime de guerra”, com o objetivo de pressionar e aterrorizar a população civil.
Segundo o especialista, a tática visa mostrar que não haverá ajuda para os civis, forçando-os a uma possível revolta ou “mudança de regime” em países como o Irã. Essa estratégia é historicamente atribuída a Israel desde a década de 1990, visando desestabilizar internamente as regiões alvo.
O que isso muda na prática: A intenção por trás desses ataques sugere que a população civil se torna um alvo indireto para gerar pressão política, violando princípios fundamentais do direito humanitário internacional. Isso aprofunda o ciclo de violência e desconfiança na região, com impacto direto na segurança e na qualidade de vida dos moradores, além de elevar os riscos de escalada do conflito e desestabilizar o cenário político internacional.