A pesquisa da doutoranda Fernanda Pereira da Silva, da Universidade Federal Fluminense (UFF), revela que histórias em quadrinhos (HQs) são ferramentas eficazes para fomentar o debate racial na formação de professores. O estudo, divulgado nesta quinta-feira (26), destaca a importância das graphic novels para construir uma educação antirracista no país. O Resumo explica e descomplica para você.
HQs no Currículo: Pesquisa da UFF Aprofunda o Debate Racial
A doutoranda Fernanda Pereira da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolveu um estudo que confirma o potencial das graphic novels para provocar reflexões sobre questões étnico-raciais na formação de futuros professores do Curso Normal. Sua tese, “Cotidiano, escola e Graphic novel: O papel da mídia no fortalecimento da Educação para Relações Étnico-Raciais”, foi orientada pela professora Walcéa Barreto Alves, da Faculdade de Educação da UFF.
– Doutoranda: Fernanda Pereira da Silva
– Instituição: Universidade Federal Fluminense (UFF)
– Orientadora: Professora Walcéa Barreto Alves
– Objeto do estudo: Uso de graphic novels na formação de professores do Curso Normal para educação antirracista.
O que isso muda na prática: A pesquisa oferece um novo caminho didático para as escolas, utilizando a linguagem acessível das HQs para abordar um tema complexo e essencial, capacitando educadores a promoverem um ambiente mais inclusivo e consciente.
Lei 10.639/2003 e a Realidade Escolar Brasileira
O trabalho de campo de Fernanda, realizado no Colégio Estadual Júlia Kubitschek, com alunos do segundo ano do ensino médio, revelou que as escolas abordam o tema do racismo predominantemente em novembro, durante o Mês da Consciência Negra, negligenciando a discussão no restante do ano. Essa constatação contrasta com a vivência cotidiana de racismo por parte dos alunos, dos quais 95% eram negros.
Além disso, a Lei nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, não é cumprida em 71% dos municípios brasileiros, conforme pesquisa do Geledés Instituto da Mulher Negra e do Instituto Alana. Um dos argumentos para a não aplicação é que professores consideram o tema polêmico e de difícil abordagem, o que Fernanda contesta: “Não é polêmico. Faz parte da nossa história”.
– Local do estudo de campo: Colégio Estadual Júlia Kubitschek
– Alunos pesquisados: 95% negros, do segundo ano do ensino médio.
– Problema identificado: Abordagem pontual do racismo nas escolas (apenas em novembro).
– Legislação: Lei nº 10.639/2003, que obriga o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana.
– Descumprimento da lei: 71% dos municípios brasileiros (dados de Geledés Instituto da Mulher Negra e Instituto Alana).
O que isso muda na prática: Revela a urgência de ferramentas pedagógicas que superem a lacuna na aplicação da lei, oferecendo aos professores métodos eficazes e menos intimidadores para integrar o debate antirracista no dia a dia escolar, independentemente da época do ano.
Impacto Nacional: Formando Educadores para um Futuro Antirracista
A doutoranda acredita que as HQs têm o poder de atrair os jovens para a discussão, citando a inserção de obras com heróis negros como Carolina, Cumbe e Angola Janga no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) em 2018. Sua pesquisa foca em preparar futuros educadores para que possam levar o debate antirracista para as novas gerações, utilizando a história de personagens como Carolina Maria de Jesus através das graphic novels.
– Exemplo de HQs no PNLD: Carolina, Cumbe e Angola Janga (em 2018).
– Objetivo: Preparar futuros professores para abordar o racismo com novas gerações.
– Estratégia: Utilizar histórias de personagens como Carolina Maria de Jesus em graphic novels.
O que isso muda na prática: O estudo contribui diretamente para fortalecer a educação antirracista no Brasil, ao munir futuros professores com estratégias didáticas inovadoras, transformando a abordagem do racismo em algo acessível e contínuo, não apenas pontual. Isso impacta diretamente a formação de cidadãos mais conscientes e combativos.